domingo, 26 de outubro de 2008

Já cheira mal, esta conversa, mas...

...aqui ficam mais dois posts sobre a "merda" de Évora. É que, realmente, não somos só nós a achar que as praxes são coisas... hummm... estranhas e cheias de contradições.


Do Arrastão, por Pedro Sales:

A cóltura da bosta
O presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Évora não compreende o inquérito instaurado pelo reitor às praxes realizadas num dos pólos da Universidade, avisando que elas vão continuar. Afinal, trata-se de um “hábito antigo” que “é uma manifestação cultural que deve ser respeitada”. Mais a mais, como se percebe, os abusos “não têm lugar no nosso conceito de praxe”. Na Universidade de Évora os alunos do primeiro ano podem ter que rastejar nos excrementos dos animais, mas fazem-no com todas as condições de higiene e controlo de qualidade. Podem ser fezes, mas não é uma merda qualquer. Aqui não há abusos, como se sabe. Cultura que é cultura, só com excremento de asno de primeira qualidade. O presidente da associação de estudantes sabe do que fala.

Do Antropocoiso, por Paulo Granjo:
A malta curte é merda
Li a coisa há um par de dias num daqueles jornais gratuitos mas, como não a encontrei online em lado nenhum, pensei que vocês não iam acreditar se eu me limitasse a contar.
O Arrastão forneceu agora um link para uma notícia do DN, pelo que já não passo por mentiroso. É assim:

O presidente da associação de estudantes da Universidade de Évora (a bela terra onde nasci, helàs) ficou muito agastado por, no seguimento de queixas de alunos, o reitor ter proibido umas praxes na escola de regentes agrícolas que deus tenha, cujo ponto alto era fazer os caloiros rastejarem na bosta dos animais, pontualmente apimentada pela de algum praxista que estivesse mais aflito.

Diz o chavalo que a malta gosta tanto da coisa que até há gente do 2º ano que pede pelas alminhas que os deixem também chafurdar no esterco.
Para além do mais, acrescenta, «é uma manifestação cultural que deve ser respeitada».

Eu até sei que aquela antiga escola, agora pólo da Universidade, tinha a tradição de acolher como alunos os filhos mais ineptos dos latifundiários do tempo da outra senhora - o que arrastava consigo um ethos, uma elevação intelectual e um refinamento de gostos como aqueles que costumamos encontrar, nos filmes, entre os membros mais volumosos das equipas universitárias de football americano.

Supunha que a origem social e o nível mental dos alunos se tinham alterado com o tempo, mas não imaginava que tanto tinha sido preservado do ethos original. Tirando as ovelhas negras que se queixaram à reitoria, parece que ainda hoje, ali, a malta gosta é de merda.
Apesar disso - acreditem num antropólogo, mesmo sem que ele cite uma lista infindável de exemplos escabrosos em defesa da sua afirmação - o facto de uma coisa ser uma «manifestação cultural» não quer dizer que deva «ser respeitada».

E, se esta descoberta for muito chocante, eh pá... Encham a banheira de bosta e vão curtir e relaxar um bocado.

1 comentários:

ser.r.alves disse...

Lol! Muito bom!
Pois, aqui a tradição é apresentada como manifestação cultural talvez por se terem apercebido que a desculpa da "tradição" já não pega. Parece que se estão a agarrar a todos os conceitos que se lembram para ver se lhe dão um ar mais bonito mas a podre realidade é demasiado vistosa...
A praxe é como um barco a afundar quando se descobre o buraco, agarramo-nos a tudo quanto podemos.