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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Panfleto do MATA


Para ler, pensar, distribuir, redistribuir e, depois, fazer outro. Este já circula! E é bem vindo quem o quiser fazer circular. Basta fotocopiar... :)

Porque:
- nunca foi preciso usar traje para se ser estudante do ensino superior.
- nunca foi preciso ser praxado para usar traje.
- nunca foi precisa uma tradição para receber novas pessoas.
- o material do traje académico provoca comichão.
- o aluno do 3º ano não é mais importante que o aluno do 2º e o do 2º não é mais importante que o do 1º.
- não somos mais por praxar, nem menos por não ser praxados.
- foi descoberto há vários séculos que certas músicas de determinadas tunas são cantadas num dialecto que será inventado daqui a alguns anos. (Estas decidiram começar a cantar desde cedo nesse dialecto para que rapidamente se torne tradição.)
- podemos divertir-nos sem ser com a praxe e também - quem diria? - conhecer a faculdade e a cidade sem andar a rastejar.
- há mais “académicos” na faculdade do que só alunos: há professores, investigadores, funcionários, visitantes, que não têm que aturar a “tradição académica”.
- há mais pessoas no mundo do que apenas as que andam em faculdades e não nos sentimos superiores e diferentes delas por isso.
- ser integrado não é apenas conhecer os colegas do nosso curso ou da nossa faculdade.
- simular sexo em público, comer sem talheres, andar de gatas ou brincar aos militares não é aquilo em que queremos ser integrados.
- na escola primária conhecemos todos os nossos colegas e divertimo-nos e não foi preciso berrarem-nos aos ouvidos e forçarem a brincadeira.
- os códigos de praxe são leis inventadas e não podem ser impingidas nem ao caracol.
- não achamos que sirva para alguma coisa os estudantes vestirem-se todos de igual e tocarem um único estilo musical.
- uma alergia incomum faz as pessoas espirrar ao dizerem a palavra praxe.
- o medo de dizer NÃO é a arma de quem praxa.
- ser paternalista é achar que os novos alunos precisam de ajuda sem sequer lhes perguntar.
- a primeira versão do traje académico era cor-de-rosa e os estudantes pareciam muito mais simpáticos nessa altura.
- ninguém tem o direito de berrar, obrigar, vergar, humilhar, subjugar ninguém.
- ninguém que assista a isto tem o direito de ficar indiferente.
- a praxe cheira mal dos pés.

dizemos NÃO à praxe

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Agora a Cidade Universitária está mais bonita!

Murais pintados na noite de 21 de Setembro de 2008!


Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa




Cantina do ISCTE (nº2) na Cidade Universitária

domingo, 17 de agosto de 2008

O futuro aí à porta (como sempre, aliás)...

Fizemos uma maratona. Mas a nossa maratona durou um pouco mais do que as dos atletas das maratonas de 42km.
Treze horas depois de começarmos, aparece a primeira curta-documentário do M.A.T.A. (ainda a caminho dos retoques finais).

Enquanto ela não entra em circulação, fiquem com esta, que foi apresentada na festa "Não resistir só e não só resistir", em 2006.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A invasão...




Atenção! Atenção! Aviso à população!
A Baixa Lisboeta, desde da Praça dos Restauradores até ao Cais do Sodré, foi completamente invadida por corvos. É fenómeno anti-natura nunca antes visto na nossa sociedade evoluída. Eu tive o privilégio de assistir, com os meus próprios olhos, aos comportamentos destes espécimes.
Durante a tarde no meu trabalho, na Baixa, ouvia gritos histéricos pela rua. Sempre que ia para a entrada espreitar não via nada de suspeito. Pensei que pudesse ser uma manifestação da CGTP, dois cauteleiros a discutir sobre a melhor terminação da Lotaria Clássica, ou uma pessoa desesperada por ter encontrado o seu automóvel bloqueado pela Polícia Municipal enquanto só tinha ido beber uma mini ao café "O Fingal".
Saio do trabalho ao final da tarde e dirijo-me para a Casa do Alentejo e começo a ver algumas, mas poucas, figuras de indumentária bastante estranha. Por um lado pareciam trabalhadores de colarinho branco que deviam ter saído da Loja do Cidadão, por outro pareciam o fantástico Zorro pelas compridas e belas capas que ostentavam orgulhosamente. Apesar disso, segui em passo acelerado para a embaixada alentejana, pois eu cá estava com sede.
Umas duas horas depois saio, já acompanhado, da magnífica associação cultural para me dirigir para casa. Começamos a observar que eles se multiplicaram - eram pior que coelhos. Agora via-os pela rua de Portas de Santo Antão a beber ginginhas como se não houvesse amanhã, e ainda fomos a tempo de ver um grande grupo mais elitista que preferiu a suculenta carne frita do McDonald's, erguendo orgulhosamente a nossa lusa bandeira. Eles urravam! Eles gritavam! Eles estavam tão divertidos! Essa sensação de liberdade imediatamente me preencheu. É tão bom ver seres humanos tão jovens armados em aves.
Seguimos pelo Rossio, entrei na rua do Carmo e já via vários a subir e a descer a rua Garrett. Achei estranho, pois era segunda-feira e o Bairro Alto é aborrecido (embora para mim essa seja uma constante da vida). Já não estava a compreender nada. Comecei a sentir-me perdido e agoniado. Só queria sair dali, não ter que ver tanta felicidade alcoólica em gente bem vestida.
Descemos para a rua do Ouro, o movimento de aves continua semelhante... até ver a rua do Comércio cortada. Olho para a Direita e vejo um bando enorme de corvos aos berros. Oiço música. Vejo luz. A Praça do Município estava repleta, invadida, e infelizmente não era o 25 de Abril. Fugimos para a Praça do Comércio - lá estaríamos em segurança para apanhar o eléctrico. Novamente encontro estes seres vorazes a gritarem obscenidades sobre como desejam fazer sexo em grupo nos seus futuros consultórios de psicologia. Outro bando, maioritariamente masculino, em jeito de pré-acasalamento, berra o mesmo mas a estudar pedras... E começa uma bela dança de palavras entre futuras psicólogas e futuros geólogos.
Finalmente chega o eléctrico, que antes de nos salvar, leva-nos principalmente para a toca do lobo. Passamos pela Praça do Município e nunca vi nada assim: os corvos grasnavam em volta de belos banquetes de cerveja e churros. Alguns bandos já derrotados afagavam as cabeças dos seus compinchas em quase coma alcoólico, outros erguiam os seus copos de plástico e as suas guitarras em direcção da Câmara Municipal, outros limitavam-se a não deixar o eléctrico passar. Felizmente estava lá a polícia e ajudou-os a sair do meio dos carris.
É compreensível, as aves não primam pela inteligência.
Y.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Que respondes tu?

Estou perturbada pelo tema do "incidente do telemóvel", mas ao contrário do que se tem ouvido, a minha perturbação vem exactamente da análise que se tem feito do caso.
As palavras "autoridade", "família", "punição" (palavras muito usadas durante o Estado Novo), que têm entrado em quase todos os discursos (e que transformam as "pessoas mais novas" como pessoas inferiores) são tão antigas e obsoletas quanto o sistema de ensino.


Será normal que a Escola continue a ser apenas um local de reprodução e não de renovação de ideias? Esperamos nós que a Escola "ponha as crianças na linha" em vez de as ajudar a encontrar autonomia e autodeterminação? Queremos que saiam da Escola bons profissionais (precários, claro, que os tempos não estão para melhor) em vez de pessoas com ideias, capacidades e vontades de reinventar a sociedade?

Será que queremos impor desde cedo a estratificação da hierarquia que "nos manda obedecer" (aos pais, aos professores, aos patrões, aos polícias)?
Esperamos nós que a Escola seja um local de medo e retracção, vigiado por polícias e colegas, em vez de um espaço de liberdade onde as diferenças se respeitam?
Queremos que se ache normal que os professores roubem os telemóveis dos alunos, em vez de querermos que a Escola se reinvente e se adapte ao presente?

Eu respondo a tudo que não.


Ana Feijão

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Mural