quarta-feira, 7 de outubro de 2009

«O que eu penso das praxes» por Miguel Castro Caldas

Este é o primeiro de muitos textos que o MATA decidiu pedir a várias personalidades, ligadas ou não ao meio universitário, e que terão como tema «O que eu penso das praxes». Na coluna lateral do nosso blog, os nomes dessas pessoas aparecerão listados para que seja mais fácil encontrar a opinião de cada um no nosso blog.

Miguel Castro Caldas (n. 1972) é escritor. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Publicou textos no jornal da AE da Faculdade de Letras Os Fazedores de Letras entre 1998 e 2001. Publicou vários livros e escreveu e traduziu muitos textos para teatro. Recebeu uma menção especial da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro pela sua actividade em 2005. (Ver mais aqui)



O QUE EU PENSO DAS PRAXES

Penso que não devíamos ser indiferentes aos autos de fé. Mas não vale a pena chamar a polícia porque a polícia não vem, é conivente. Assim como os professores. Assim como os merceeiros. Assim como os miúdos que passam na mota a entregar a pizza. E os do banco que vêm de gravata da hora do almoço. E as velhas que alimentam a migalhas as pombas. E os bêbedos descalços sentados no chão. Não vale a pena chamar ninguém, temos de ser nós a segurar bem a raiva que nos sobe aos punhos perante qualquer espectáculo de humilhação. Temos de ser nós a partir-lhes a cara. Poisamos o lápis e as batatas em cima da balança e vamos lá dar uma cabeçada num palerma vestido de abutre que os outros fogem logo a seguir. Encostamos a mota da pizza e vamos ao focinho daquele que está a berrar com uma miúda de joelhos que é obrigada a enterrar-lhe a cara no fecho-éclair. Despimos a roupa de polícia dentro de uma cabine telefónica e vamos de camisa dar um pontapé naquele que se esfrega no dorso de um rapaz obrigado a manter-se debruçado para a frente. Chegamos atrasados ao banco porque vamos lá perguntar o que vem a ser aquilo de obrigar pessoas a porem-se de gatas no meio da rua. Poisamos a frigideira das migalhas para os pombos e vamos lá partir os dentes daqueles que passeiam gente por uma trela. E nem precisamos de largar a garrafa de vinho, não é preciso largar nada, para nos levantarmos do chão e irmos lá descalços, enxotá-los, enxotá-los, enxotá-los.



45 comentários:

Anónimo disse...

e viva as cruzadas

Belhotte disse...

Aproveitemos essa mesma raiva contida, e agridamos traficantes que destroem os lares e as famílias distribuindo substâncias "que fazem rir" em troco do vil metal com que aliciam joves, muitas vezes meores. Ataquemos padres e religiosos porque durante séculos nos iludiram com a maior mentira do mundo. Deportemos politicos enganadores que de dia para dia fazem a nossa vida mais negra com reformas e contra reformas que nos afundam mais e mais. Ergamos a voz contra policiais corruptos que nos descriminam face aqueles que tem posições sociais mais elevadas. Expulsemos do nosso país todos aqueles que o prejudicam. Aí vais ser muito mais bonito... Igualdade de direitos para as pessoas... Para todas as regiões... Obriguemos Lisboa a dispensar meia duzita de médicos para virem para o interior... Interior norte pois eles todos já possuem uma casa no Alentejo e vâo lá de vez em quando... Dotem o país de infra estruturas igualitárias por todo... porque que eu tenho que levar a minha mãe semanalmente ao Porto onde existem vários especialistas na doença dela mas nenhum quer vir para Vila Real... Vamos fazer do país um oásis no mundo como não há igual...

Rogério Freitas, Leão Penedo e Perdigão Queiroga... Voltem lá... Reescrevam o filme que tantas gargalhadas me fez soltar... "Sonhar é (tão) Fácil"...

José Rainho "belhote"

Sir Giga disse...

"O que eu penso do Miguel Castro Caldas", por Sir Giga:

Quem é o Miguel Castro Caldas? Ainda que o desconheça por completo (sondemos o grande público para verificar se estou só nesta minha "ignorância"), reconheço-lhe grande mérito literário: imaginem que vê o traje orgulhosamente envergado por incontáveis gerações de lutadores pela liberdade como "fatos de abutre".

Ah, e o mesmo que experimente dar uma cabeçada em qualquer um dos "abutres" a exercer o seu direito de praxar ou ser praxado, e veja lá se não será ele que foge a sete pés, já para não falar no processo por agressão a que estará sujeito por violar a integridade física de um cidadão que nada lhe fez.

As situações que relata não condizem, de maneira alguma, com a minha ideia de "praxes". Nunca as pratiquei, quer como caloiro, quer como "praxante". Elas ocorrem? Sim senhor. Deviam ocorrer? No meu entender, não. Está o tratamento aos caloiros a melhorar? Também. O caloiro, como cidadão maior e vacinado, é que determina até onde entende ir? Sempre assim o foi e, se assim não foi, não foi "praxe". Foi abuso.

Miguel Castro Caldas disse...

Caro senhor Giga,

Depois de ler o comentário que aqui deixou ao meu texto, a pergunta que sinto vontade de fazer não é «quem é Sir Giga», mas o que significa algumas coisas que o Sir Giga diz, como por exemplo, «Está o tratamento dos caloiros a melhorar? Está». A esta pergunta/resposta eu pergunto: o que é um caloiro? Será uma forma arcaica de dizer calor? O tratamento do calor está a melhorar? Está a fazer publicidade aos ares condicionados? O que é um calor maior e vacinado? pensava que isso se aplicava às pessoas na idade adulta. Outra coisa que eu não compreendo é associar fatos de abutre a lutadores pela liberdade. Alguns dos estudantes dessas gerações vestiam esse fato porque era a farda (eram tempos de fardas) mais barata, ao contrário de hoje, que só quem tem mãe e pai bem de finanças é que pode encomendar. Não compreendo que relação pode ter ela com lutas pela liberdade. E não vejo nos dias que correm nenhum estudante vestido assim a lutar seja pelo que for. E aqueles que refere das outras gerações não me parece que lutassem por esses bibes. Por último, uma coisa na qual estamos realmente em desacordo: eu não reconheço o direito de praxar, porque não reconheço o direito de humilhar. E praxar é humilhar, e é mais, é o prazer de humilhar. E tenho dúvidas quanto ao direito de ser praxado. Como o direito de ser roubado, o direito de ser violado, etc. Não percebo E quem é praxado não está nas melhores condiões para determinar até onde quer ir. E se eu estiver sujeito a um processo judicial por violar a integridade física de um cidadão que nada me fez, garanto que esses abutres viram comigo sujeitos ao mesmo processo.

susana disse...

perguntemos ao "grande público" o que é um blogue ou mesmo o que é uma praxe... Já agora gostava de saber a opinião do Tony Carreira sobre as praxes...

Miguel Castro Caldas disse...

Uma gralha no meio de abutres

Quero corrigir uma gralha grave no meu comentário anterior. Na última frase, onde se lê «viram» deve ler-se «virão». Peço desculpa.

maria faz-te à vida disse...

Prefiro não comentar os anteriores comentários, que eu também sou desses a quem a mostarda acaba por subir ao nariz e transbordar em palavras... Antes agradeço o texto, aguerrido, forte da violência VERBAL que é a arma por excelência contra a violência que nos entra pelos olhos adentro quando passamos por cenas de praxe. Sim, porque a praxe tem público, que somos nós todos, a praxe é uma paródia do circo romano e, para além da vontade dos praxantes, do consentimento dos praxados, assenta no nosso silêncio cúmplice, quando não condescendente.

Alessandra Balsamo disse...

Odeio todo o ritual de iniciação tout court, logo odeio praxes.
Sabe-me a primitivo, a primitivo cavernoso,mas muito humanoíde. Sabe-me aos aneis de cobre que enfiam desde criança a umas meninas na Ásia (creio) para ficarem com o pescoço comprido, àqueles pratinhos enfiados no lábio, ao salto da palmeira mais alta da aldeia dos meninos/homens, à primeira ida às putas do tempo do meu pai. Sabe-me a caserna (outra coisa que abomino). Primitiva mas muito humanoíde esta convição ou obrigação de que tudo tem de ter um início e possivelmente no mesmo dia para a manada toda e que esse início tem de coincidir com a mudança de um estado civil, físico, de curso, de sítio, de penteado, de actividade. Como sempre achei que nunca se sabe quando é que se vai começando a perceber qualquer coisa a única coisa que se percebe da praxe é aquilo que eu me recuso a perceber: que há momentos únicos e irrepetíveis ditados por alguém que não sou eu, dias do pai, da mãe e do namorado/a e etc.; que há dinheirinho e comércios (bejolas, fatinhos, pinturas, bombas de confetis etc...) por trás disso tudo que é o que interessa; que há oprimidos e opressores; que há quem sabe (pensa que sabe) e quem ainda está para saber (ou pensa que aí vai saber). Por mim, e cheguei a essa conclusão muito mais tarde, fui apreendendo mais com o meu pai que, a seu tempo e apesar da chacota dos colegas, se recusou a ir às putas e com outros tantos que se recusaram e ainda recusam outras tantas coisas.Os caloiros apreendam, peçam para apreenderem a dizer não, não quero, odeio, abomino, sem medo.
Sobretudo apreendam a não ter medo. Ambas as coisas são muito úteis para se safar dos (mascarados de)abutres e dos verdadeiros.

Alessandra Balsamo

Anónimo disse...

Dura Praxis Sed Praxis! Quem gosta de ser praxado que o seja, quem não gosta que se declare anti-praxe e deixe os outros praxar e serem praxados...

Já agora sou caloira, ou "reles besta", e estou a adorar ser praxada!

Diana disse...

Tens orgulho em ser "reles besta"? Eu cá tenho orgulho em ser uma pessoa!
:-D

Anónimo disse...

Nesta coisa do ser praxado, é bom que se entenda que quem é praxado, pelo menos na maioria dos casos, não pode dizer que não o quer ser, pois quando o diz, a praxe ainda é mais violenta.
O praxado é uma vítima e se houver por aí alguém que saiba de psicologia, seria interessante vir explicar o síndrome da vítima.
A praxe corresponde, no adulto, ao bullit nas crianças.
A maior parte dos praxadores, fazem aos praxados, maiores humilhações dos que as que sofreram. É sempre a piorar.
Há um ditado português que diz:
« Não sirvas a quem serviu, não peças a quem pediu »

Faz-me pena saber, principalmente numa mulher, que se "adora" ser paraxado e que não se importa de ser chamada, ou ainda pior, ser considerada "reles besta".
Não se há-de importar de ser batida pelo marido ou namorado.
Onde estará a esperança na juventude?
Onde estará a esperança da revolução de usos, costumes e política?
Onde estará a esperança no futuro deste país?

Uma óptima ideia, um óptimo post, uma óptima resposta do Miguel Castro Caldas a um dos comentários.
Parabéns!

Francisca

CatarinaGarcia disse...

Pelo que dizem quem se declara anti-praxe, para além de não poder praxar depois, o que é natural, não pode participar noutras festas ou acontecimentos académicos tipo jantares de turma. Isto não é obrigar as pessoas a quererem ser praxadas senão ficam à parte da vida académica, mesmo aquela que não tem a ver com as praxes?
Ainda bem que na faculdade onde andei quase toda a gente era anti-praxe e nunca vi dessas coisas por lá.

Pedro disse...

Alguem que afirma ter prazer em ser praxado e ter prazer em ser reles besta... merece o tratamento humilhante a que e submetido.

Mesmo que nao faca ideia de que esta a ser humilhado@.

Funes, o memorioso disse...

A questão "praxes sim ou não?" faz tanto sentido como a questão "sequestro: sim ou não?", ofensas corporais: sim ou não?", "injúrias: sim ou não?", "crime: sim ou não?".
As actividades sadomasoquistas são inteiramente legítimas, desde que praticadas num ambiente de absoluta segurança e sã consensualidade. Não tenho dúvidas de que não é esse o caso da generalidade dos caloiros que se submetem às humilhações da praxe.
Sejamos claros: aquilo que frequentemente se passa nas praxes é a prática dolosa de crimes graves. Que se passe na universidade e que aí se tolere o que em mais lugar algum se toleraria, diz bem do estado de decadência a que chegaram as nossas elites.

Belhotte disse...

Em relação ao comentário original do Sr. Miguel Caldas, (e desde já lhe reconheço o mérito pela obra apontada na apresentação do MATA e congratulo-o pela imesa obra que o Sr. tem publicada, embora confesse que não conhecia nada do que foi apontado, mas me comprometa a adicionar algumas obras suas à minha biblioteca) como é natural, não concordo com ela e esses comentários dos ares condicionados são tudo menos "a propósito", mas cada um e cada qual defende-se como pode, e quando os argumentos lógicos falham, normalmente temos tendência a dispersar. Já agora permita-me perguntar-lhe: Foi praxado quando entrou na Universidade?

NOvamente em relação à Praxe, vou tentar lembrar (embora saiba que as pessoas convenientemente esquecem) que por Praxee entendemos toda o conjunto de Tradições Académicas, e não apenas o acto de "receber" o caloiro. Quando há abusos (e eu sei prefeitamente que eles existem, mas devem ser apontados e sancionados a quem e por quem de direito) devem ser punidos!

Felizmente e graças a uma quase omnipresença dos média (que desculpem-me, mas só fazem tanto alarido porque mexe com as massas, pois de resto não querem saber da temática para rigorosamente nada), esse apontar de dedo tem surgido muito mais vezes (do que deria desejável porque significa que de facto há faltas) e tem permitido que certas práticas indesejáveis "refriem" (nada de fazer comparações com ares condicionados, hehehe).

Em relação ao comentário da menina Catarina Garcia, é absolutamente correcto. Se por praxe entendo o conjunto de todas as Tradições Académicas, é normal que quem não passa pela (vou chamar-lhe) "iniciação", não possa nem deva depois participar em qualquer tipo de actividade. A isso mesmo chama-se tradição. Não é necessário ir às Praxes Académicas para verificar isso, temos exemplos bem mais antigos no nosso país (mas devido a não serem feitos em colectividades tão expressivas, não tem o mesmo mediatismo) como as Praxes das Academias Militares ou as Cerimónias de Iniciação nas Confrarias.

Se na Academia Militar passas por elas e não tens outro remédio, nas Confrarias, se não quiseres passar... também não entras!

É tão simples como isto: Quem não quer não participa. Depois não tem é que se queixar porque certas portas são Fechadas. Se quiserem acabar com as Praxes, aproveitem e acabem com tudo (pois Praxe não é só receber o caloiro, repito): acabem com Semanas Académicas e do Caloiro, com Latadas, Com Missas de Benção das Pastas, com as Cerimónias de entrega dos Canudos, etc etc etc.

José Rainho, "belhote"

Amarilis disse...

Entrei este ano na universidade e declarei-me anti-praxe. Sempre que isto é tema de conversa, ouço sempre que deveria ir experimentar. Tenho as minhas razões para não ir, e entre muitas outras reina o facto de eu não estar disposta a ser humilhada, felizmente dignidade não me falta.
Outras coisas que ouço é que poderei vir a ser discriminada, que não poderei participar na vida académica. Uma vez que a vida académica está povoada com as pessoas que praxam e não têm vergonha em ter as ideias ordinárias ou simplesmente sujas não vejo qualquer vantagem em participar nela. Não quero conviver com pessoas de tão pequena mente. Nem quero estar na mesma mesa de pessoas que lavam a cabeça dos "caloiros" com manteiga e porcarias afins, entre coisas de longe piores.
Se ser discriminada é vir a não ser aceite pelas pessoas que são humilhadas e ainda dizem que é divertido, ou pelos que praxam e se sentem realizados por isso, então por favor que assim seja. Tenho muito mais que fazer do que integrar-me no meio de pessoas que não agem como tal.
Tenho pena que as pessoas sejam demasiado influenciáveis e que tenham medo de dizer não, tenham medo de não ser aceites. Que aceitem tais humilhações só para fazer parte do rebanho.
É deprimente perceber que essas pessoas não têm uma vida para além da universidade, e que consideram esta fase a melhor das suas vidas.
É tão deprimente que acabo por me sentir tão bem e com tanta sorte por não pensar da mesma maneira e por ser sempre, sempre, fiel aos meus valores e convicções, e dizer Não.

Cumprimentos,

Miguel Castro Caldas disse...

Caro José Rainho «Belhote»,

Não há nehuma porta fechada aos que se recusam a ser praxados, simplesmente porque a dita comunidade «praxadora» é uma minoria tão irrisória quanto a do partido nazi em Portugal. Salvo seja. Mais: A dita comunidade «praxadora» não representa autoridade nenhuma, e este «nenhuma» vai da autoridade administrativa, à académica, à intelectual, à social, à das festas, à dos copos, etc. E assim lhe respondo à pergunta directa que me faz: Nunca fui praxado, era só o que faltava, e nunca se me fecharam portas na universidade, muito pelo contrário, não precisei de ser praxado para ter amigos, para fazer coisas, aprender, etc. Não é a comunidade praxadora que realmente dá as boas vindas aos que entram na universidade. São as vivências que se vão tendo lá dentro. E o que faz uma pessoa entrar na universidade não é um ritual de iniciação, são os números clausus. No tempo em que eu andava na faculdade os que praxavam eram quase todos do segundo ano (isto é que é ser veterano?) e raramente eram vistos durante o ano lectivo. Só apareciam neste momento «fundador» em que podiam dar azo à sensação de ter poder. E no entanto, lá continuavam eles, ano após ano, no segundo ano, chumbando, chumbando.
E na linha do que diz no seu primeiro comentário, «Ataquemos padres e religiosos porque durante séculos nos iludiram com a maior mentira do mundo» eu acrescentaria, ataquemos os rituais de iniciação porque durante séculos nos iludiram com a maior mentira do mundo.
E vou parar por aqui porque estou cheio de caloiro. Hoje esteve um dia de caloiro, José, o que é estranho porque estamos em pleno Outubro.
Bem haja.

Diana Marques disse...

Basta de militares e confrarias!

Fred disse...

"É tão simples como isto: Quem não quer não participa. Depois não tem é que se queixar porque certas portas são Fechadas. Se quiserem acabar com as Praxes, aproveitem e acabem com tudo (pois Praxe não é só receber o caloiro, repito): acabem com Semanas Académicas e do Caloiro, com Latadas, Com Missas de Benção das Pastas, com as Cerimónias de entrega dos Canudos, etc etc etc."

Argumento típico de alguém que tão facilmente vem tecer este tipo de comentários, quanto podia estar na praça do Campo Pequeno a fazer-se a um pano...

É CLARO que as pessoas TÊM todo o direito de se queixar se por ventura certas portas são fechadas por não quererem participar das praxes. Aliás, é dos principais argumentos defendidos pela MATA que as pessoas são coagidas a deixarem-se praxar por sentirem que serão alvo de exclusão se se declararem anti-praxe.

Não acrescentaste nada de novo ao que já se discute, mas obrigado por lhes dares razão no que defendem.

E se acabarem com todos esses rituais, e depois? Qual é o problema?

Também tinhamos por hábito o perdão a crimes passionais, a enforcar pessoas, às mulheres não poderem votar, etc etc... e evoluímos.

É CLARO que não precisamos de abdicar de todos os rituais académicos se por ventura baníssemos a praxe. Mais uma vez... o teu argumento é de alguém pouco inteligente e a quem a falta de visão não lhe permite tecer argumentos que são ou oito ou oitenta.

Sir Giga disse...

Caro Miguel Caldas. Satisfaço a sua curiosidade:

"Quem é Sir Giga?"

É apenas o alter ego de um - por si tristemente denominado - "abutre", que nos últimos doze anos de intensa vivência académica, arranjou tempo para concluir duas licenciaturas (pré-bolonhesas, não há cá "mestres integrados"), fundar duas garbosas tunas universitárias, constituir família e ter um filho (mas a mulher é que teve o trabalho quase todo, confesso), ensinar, meter-se num doutoramento, andar pela Europa aprendendo e apresentando o meu trabalho, plantar uma árvore, desenvolver trabalhos de investigação nas áreas das ciências biomédicas, ciências sociais e didática das ciências e escrever em blogs nas horas vagas.

"o que é um caloiro? Será uma forma arcaica de dizer calor?", pergunta.

Segundo o Dicionário da língua portuguesa da Porto Editora:
caloiro (nome masculino)
1. gíria académica - estudante do primeiro ano de um curso superior. Exemplo: aquele que ali vai é CALOIRO de medicina.
2. figurado - principiante em qualquer matéria. Exemplo: O distinto Miguel Caldas é um CALOIRO nisto de entender o academismo.

De nada. Não tem de quê, ora essa. e sim, os caloiros são maiores e vacinados. Podem votar, casar ou ser presos, por exemplo. E até terem direito a ser praxados, vejam lá. E já que encetou esta bacoca discussão etimológica, partilho estas definições (da Porto Editora, claro):

MATA (nome feminino)

1. terreno cheio de árvores silvestres; bosque
2. arvoredo
3. grande porção de hastes (este é lindo...)
4. grande quantidade
5. matadura (
6. (familiar) jogo muito popular na minha infância, que se jogava a feijões (literalmente).
7 " (gíria) "mata-mata" - Filipe-scolarismo. parida decisiva de futebol

O 6 e o 7 foram adições minhas.

"Alguns dos estudantes dessas gerações vestiam esse fato porque era a farda (eram tempos de fardas) mais barata, ao contrário de hoje, que só quem tem mãe e pai bem de finanças é que pode encomendar."

Não é bem pergunta, mas o didata em mim não resiste em levar luz onde há ignorância (por sinal bastante positiva para a aprendizagem, mas só quando assumida).
1. Farda usa a tropa. E quem lá vai a isso é obrigado. O traje é um uniforme. Porquê? Porque uniformiza, claro (La Palice ia adorar esta). E há muito que, ao invés de homogenizar, antes unifica pessoas diferentes com um gosto comum, que assim o fazem de livre e espontânea vontade, ressalve-se.
2. O tempo era de fardas, infelizmente, impostas a uma geração quem teve que lutar numa guerra que não era a sua, como o meu pai, um
herói, ainda que à força. E que até me pagou o primeiro traje e vai ver as minhas actuações, sempre que pode.
3. Que eu saiba, os ricos também trajavam. Na verdade, o ensino superior era principalmente frequentado por pessoas de classes económicas
privilegiadas. E muitos deles, senão todos, contestatárias ao regime. Quando no mítico 17 de Abril de 69 Alberto Martins se levantou e
disse: “Em nome dos Estudantes de Coimbra, PEÇO A PALAVRA!, fê-lo TRAJADO.
4. O traje é caro em pronto-a-vestir, concordo. Mas pode-se sempre mandar fazer um á costureira por uma fracção do valor cobrado nas
lojas.E até se pode ir comprando às peças. Temos o primeiro ano todo para isso. :)

Sir Giga disse...

"E não vejo nos dias que correm nenhum estudante vestido assim a lutar seja pelo que for."

E, contudo, eles andam aí...
Um pouco mais a sério, agora. O facto de alguém trajar ou não poderá pouco ter a ver com a sua natureza contestatária, embora eu seja da opinião que os academistas tenham um maior sentido de coesão e de luta por um ideal comum que os restantes alunos (que, na minha "alma mater", constituem uma escassíssima minoria, ), por força da matriz identitária e dos fortes laços de camaradagem forjados ao longo da vivência académica, e que começa nas praxes de recepção aos caloiros (não se esgotando de maneira alguma aí, note-se). Trajado lutei contra os cortes orçamentais no ensino superior, ano após ano levantei a minha voz em palco perante largas centenas de pessoas para criticar os males da UTAD (despesismo, falta de condições, falta de ética) e continuarei a fazê-lo.

Ser "praxado" deve ser encarado como um direito e uma opção. "Praxar" deverá ser entendido como um privilégio e uma responsabilidade. E isto tem que ser muito claro, e devidamente supervisionado, aliás. E as praxes, quando realizadas como deve ser, não humilham, antes formam e integram. Falo com conhecimento de causa, pois fui praxado, praxei e continuo a praxar, ainda que só em tuna, por manifesta falta de tempo e pachorra. E nunca insultei, agredi (ou sequer toquei nalgum caloiro ou caloira), intimei ou berrei com ninguém. E é assim que eu vejo como devem ser encaradas as actividades de recepção aos caloiros, vulgo "praxes". Quem abusa do contexto de praxe para "resolver" recalcamentos e frustrações deverá ser exemplarmente punido, pela Academia, pela universidade e, quando se justificar, pela Justiça. E não acredito que haja um verdadeiro academista que não concorde com estas palavras.

Miguel Castro Caldas disse...

Prazer em conhecer-te, sir Giga, mas nunca pedi para saber quem és, porque não me interessa, interessa-me mais saber o que dizes. Não vou alimentar a discussão sobre o que dizem os dicionários das palavras que usamos. Convido-te (sem nenhuma soberba) a ler e a comentar o artigo aqui publicado do Manuel Caldeira Cabral, que explica muitíssimo bem a diferença entre «praxe» e «boas-vindas«. Quanto ao academismo reconheço que sou ignorante, mas não sou caloiro, nunca me inscrevi nessa cadeira. e no entanto, a «praxe» é uma expressão bem acabada de ignorância. Acharem que podem «formar» os que entram diz tudo. Formar? Quem pensam vocês que são? e também diz tudo defender «praxes supervisionadas». Já agora praxes-supervisionadas supervisionadas. Ponham a malta a estagiar em praxes. E a questão da farda, temos que reconhecer que toda a disciplina e embrutecimento a que submetem os civis faz lembrar a academia militar nas suas piores versões.
E achas mesmo que um estudante de coimbra em 2009 para pedir a palavra em público deve estar mascarado de estudante de 1969?

José Carlos Sintra disse...

este c. das caldas é um belo exemplo do fascista proibicionista. acabemos também com o sado-maso, prática humilhante para o masoquista. acabemos com tudo o que o senhor todo poderoso (e mandão e ditador e cruzado e patrulheiro) das caldas deseja ver terminado. avé césar, sieg heil e etc.

Diana disse...

Eu cá gosto bastante das Caldas e também bastante de Sintra.
Deixando as terras de lado, não me parece que seja fascismo dizer a sua opinião sobre uma coisa parva e imbecil que acontece na nossa sociedade, nem me parece fascista que quem quiser lute contra ela.
Qual é a tua proposta? Que quando se acha que há coisas horríveis a acontecer ao nosso lado, nas nossas escolas, pelas ruas, com as pessoas que vivem no mundo, não façamos nada? Deixemos as coisas correrem e olhemos para o lado assobiando?
Não vejo liberdade nenhuma nuns rituais inventados de humilhação. Só vejo a impossição fascista de certos grupos de pessoas sobre pessoas (ainda individuais porque ainda não fazem parte desse grupo, acabaram de chegar a um sítio novo).

Anónimo disse...

Mas alguém se está a lembrar de que as praxes são proibidas dentro das universidades? Ah, pois são! E porque é que será? Irra! Só que os professores andam muito ocupados, e têm de ser aqueles que não acham piada à humilhação gartuita para gozo de uns sujeitos de mau-gosto e ressabiados a dizer «Basta!».
Lá chegará o dia em que isto não seja assim tão difícil de entender... Abraços

susana disse...

não sou anónima anterior, sou Susana :)

Pedro disse...

Nunca me espanta a estupidez acerrada que vejo impregnada em respostas como a do sr José Carlos.

Para sua informação nas práticas sado-masoquistas (sexuais) existe algum prazer retirado da situação... há algo de sexual naquele acto do qual deriva prazer para aqueles que nele participam. É, acima de tudo algo de CONSENSUAL.

Naquelas em que não o sejam... é um crime, porque alguém está a agir contra a vontade de outra pessoa, a agir de acordo com um impulso sádico para tirar proveito do sofrimento de outrem.

Nas praxes temos sádicos que tiram prazer de humilhar outros. Decerto também os há nos praxados quem talvez goste de ser humilhado. Duvido que sejam a maioria...

Se por ventura os caloiros aderem à prática da praxe é mais pelo medo gerado pela possibilidade de exclusão das actividades académicas, da socialização com outros e de ser posto de parte por não ter agido consoante a maioria.

Portanto na praxe também existe um certo sado-masoquismo... e a consensualidade é muito dúbia visto que grande parte das pessoas submetem-se a ela sob coacção, ainda que os praxantes venham sempre com a bandeirinha da liberdade de escolha.

Diana disse...

Não deixa de ser interessante que este senhor José Carlos Sintra compare as praxes ao sado-masoquismo.


De qualquer forma a imposição de um grupo sobre pessoas, não estando as duas partes na mesma situação é completamente diferente de duas ou mais pessoas decidirem por mútuo acordo ter práticas sado-masoquistas umas com as outras.

José Carlos Sintra disse...

vejo que a menina diana não resistiu a moralizar sobre o sado-maso. é sintomática esta "atitude da patrulha". se as praxes são ou não como o sado-maso, se os alunos do primeiro ano gostam ou não de ser humilhados, isso não interessa. o que interessa, e ao contrário do que diz o pedrito, é que a MAIORIA dos "praxados" o fazem de livre e espontânea vontade. não há "imposição" ou "coacção". Queres, fodes. Não queres, sais de cima. O que é assustador é esta cavalgada proibicionista e higienista; fascista e, sobretudo, infantilizadora: "vamos terminar com este horror porque os coitadinhos dos meninos, com 18 anos, não se sabem defender dos doidos de 19 e 20 anos". Se há abusos, devem ser punidos. Mas não venham com esse moralismo bacoco para cima de mim ou para quem quer fazer parte da praxe: vocês não são melhores, nem piores que nós.Acho muita piada aos escribas de serviço, sempre com o fel na ponta da língua, minorizando a praxe, chamando burros e ignorantes aos praxistas, convencidos da sua própria superioridade... Enfim, coitados.

Diana disse...

Para esclarecer, a minha luta contra a praxe não passa por defender os mais novos e ser conra os mais velhos, defender os que são praxados e atacar os que praxam. Nada disso. Que há pessoas que querem muito ser praxadas, eu sei muito bem. Achas que não? E eu não posso ser contra isso tudo? Sou contra que a praxe exista, a praxe no geral, mesmo que os "caloiros" queiram muito ser praxados. Já entendeste? Se uma mulher disser que gosta de levar porrada do marido, eu não vou deixar de ser contra que o marido bata nela. Se um escravo disser que gosta muito de servir o seu senhor, eu não vou deixar de ser contra que exista a escravatura. Entendeste?

Segunda questão: o MATA nunca pediu a proibição da praxe, nunca a quis proibir. Isso não serve de nada. Queremos fazer debate e que as relações das pessoas umas com as outras no mundo e na escola mudem. Informa-te mais quando escreves. Informa-te mais quando és contra o MATA.

caloiro que até gostou da praxe disse...

"ainda que os praxantes venham sempre com a bandeirinha da liberdade de escolha"

Oh pedro, se isso para si é uma bandeirinha...

Quando dizem que as pessoas são coagidas pela maioria a fazer as praxes eu respondo "e...?".

A acção do meio é sempre preponderante nas nossas opções, quer por rejeição, quer por aceitação de determinado comportamento.

Vocês com esses argumentos menorizam mais as pessoas que os próprios praxantes.

Querer ilegalizar uma coisa só porque acham-na moralmente errada é simplesmente fascismo. E vir com o argumento da pressão de pares é juntar ao fascismo a patetice.
Eu acho esteticamente errado (e até moralmente...) os crocs. E acho que muita gente só usa crocs por pressão da maioria. Legalize the crocs!

De lembrar que este ano, no ISCTE, elementos do MATA mandaram ovos aos membros da comissão de praxe (provavelmente seguindo este conselho sábio do sr. caldas), coisa que já há muitos anos não se faz na praxe do ISCTE.

Pedro disse...

Não. Eu não acho que as praxes devam ser ilegalizadas por serem moralmente erradas, porque esse tipo de juízos de valor advém de uma posição pessoal.

Eu acho que devem ser ilegalizadas porque as praxes não são em absolutamente nada fundamentais ao funcionamento do ensino superior e porque já está mais que provado que, inevitavelmente, de tempos a tempos, a única coisa que servem é para haver episódios tristes como o do Diogo Macedo ou a da aluna do instituto Piaget, ou os dos alunos barrados com excrementos em Évora.

E isto tudo a título da defesa de uma tradição, que nem é tão tradição assim, porque a tradição verdadeira é em Coimbra e estes hábitos (que é o que são, e não tradição) apenas se instalaram mais recentemente noutras áreas do país.

Sei que não é, felizmente, algo generalizado, mas pergunto-me se vale de facto a pena manter uma "tradição" que acaba por inevitavelmente levar a abusos por parte dos praxantes.

Visto que a praxe nunca foi, não é nem nunca será algo de fundamental para o funcionamento duma universidade ou para o convívio dos estudantes então é natural defender que ela desapareça de vez.

Pedro disse...

Esqueci-me de adicionar o seguinte...

Estar a tentar, ainda que sarcasticamente, estar a tentar comparar o uso duma peça de calçado, como moralmente errada apenas vai para demonstrar a falta de argumentos válidos que você tem para sequer conseguir construir uma opinião sólida sobre aquilo que quer defender.

Até porque conforme já disse: não se trata duma posição moral, logo é pura estupidez estar a tentar esticar ou a ridicularizar a situação.

Pedro disse...

@ José Carlos Sintra:

"que a MAIORIA dos "praxados" o fazem de livre e espontânea vontade. não há "imposição" ou "coacção"."

Pura mentira.

Porque me recordo lindamente do documento que havia a circular, e do que as pessoas que me praxaram na faculdade e alguns alunos que eram praxados deram a entender sobre a exclusão de actividades académicas ou "ser posto de parte".

A partir do momento que haja um único caso em que isto se verifique, ainda que não seja na sua universidade, o que disse aqui é pura mentira.

Pedro disse...

caloiro que até gostou da praxe, vai-te informar como deve de ser sobre a história do ovo e da praxe antes de vires para aqui dizer (essas) baboseiras. não vamos ter que passar a vida a desmentir essa parvoeira.

Sir Giga disse...

Iluminem-nos, então, de que modo os ovos atirados pelos ilustre matistas são mais dignos do que os outros. Se calhar são provenientes de alguma cloaca comprovadamente esquerdista.

Já chegou a isso a procura desesperada por alguma atenção? Já se cansaram de ninguém vos ligar absolutamente nenhuma (isto quando alguma vez de vós ouviram falar)?

Pedro disse...

A melhor prova de ninguém nos ligar alguma é que você continua a cá vir, e a melhor prova de que as praxes são cada vez menos bem-vistas são as restrições que vão surgindo nas faculdades de ano para ano.

Não importa que demore, é inevitável que uma "tradição" sem sentido para uma sociedade que se diz civilizada acabe por eventualmente desaparecer. É o que já está a acontecer aos poucos, a partir do momento que há faculdades que o proibem no campus escolar, e que surgem pessoas que se opoem às mesmas.

Alegar a validade da praxe enquanto tradição é tão válido quanto dizer que era tradição as mulheres não poderem votar, condenarmos suspeitos de bruxaria à fogueira, apedrejar pessoas suspeitas de cometerem adultério ou lançarmos cristãos aos leões...

Devo acrescentar todas as pessoas que por aqui passam, com opinião contrária à nossa, que não há nenhuma que consiga chegar aos calcanhares do pouco nível do Sir (não sei quem é que lhe concedeu o título de cavaleiro... até porque a monarquia já desapareceu faz tempo por estes lados), mas convenhamos que é dos maiores hipócritas que por aqui anda a apregoar "honestidade intelectual" numas conversas e noutras vir tentar insultar as pessoas.

Claro que isto já não é culpa das universidades ou da sociedade... é algo que começa com algo tão básico quanto a formação que se recebe desde pequeno.

Pedro disse...

Se fosse a si, guardava a pirosada do título de cavaleirismo para mim mesmo, e até mesmo o de "sr dr.", já que até da licenciatura tenho sérias dúvidas seja titular e procurava, junto dos seus pais (ou a quem quer que seja responsável) um pouco da formação que lhe falta antes de vir para aqui tentar procurar ser estúpido (perdoem-me, faltam-me melhores palavras e não sou dado a eufemismos...).

Todos os outros que embora partilhem de opinião contrária à do M.A.T.A. mas saibam argumentar sem recorrer ao mesmo tipo de hipocrisia vigente no "sir" giga são mais que bem vindos :)

ser.r.alves disse...

Mas agora andam a espalhar a mentira de que o MATA andou a atirar ovos no ISCTE?? Mas isso tem cabimento na cabeça de alguém? Eu já vi atirarem ovos em praxes ou partiram-nos na cabeça de pessoas, isso sim.
E quem faz essa acusação conhece seja quem for do MATA para ter alguma credibilidade?
É preciso ser muito sacana para tentar descredibilizar as pessoas com mentiras.

Pedro disse...

Permitam-me corrigir:

"título de cavaleirismo", conforme pus atrás, para "título de cavalaria".

My bad.

Joana disse...

De tudo o que li só tenho um pequeno comentario a fazer..

convidam-nos a deixar a nossa opiniao a favor ou contra a praxe, alegando que pretendem uma especie de debate..

mas a verdade é que me parece inútil, visto que tudo o que possa dizer a favor, opinião ou experiencia pessoal que queira contar, ou mesmo que diga simplesmente que gostei de participar nas praxes vai ser refutado, contra argumentado e vão dar a volta de tal forma que a conclusao acaba sempre por ser 'a apraxe é errada!'

Não compreendo qual é o objectivo de criar um local para ouvir opiniões se a vossa já está formada e tudo o que é diferente é renegado.

Joana disse...

parece-me que querem é mais um local onde possam dizer "eu é que tenho razao" como fazem as criancinhas!

Penso que acusam o Sir Giga (ou la como se escreve) de ser hipocrita? Não vi hopocrisia naquilo que ele disse. Vi uma opiniao formada e bem argumentada.
Pelo contrario, o que lhe responderam, ai sim já chega até a ser ofencivo. Portanto, querem argumentar com quem sabe argumentar bem .. e como ja nao sabem o que dizer, fazem aquilo que estam aqui a contestar: uma especie de humilhação!

ser.r.alves disse...

Joana,
Quem já tem a opinião formada sobre este assunto dificilmente mudará, é certo. Tanto para quem é praxista como para quem não é. Mas para quem ainda não tem opinião formada este pode ser um espaço que ajude a decidir se se quer aderir a esse mundo de praxe ou se se quer viver na Universidade de outras maneiras. Maneiras essas que não têm um formato pré-definido e que são aquilo que cada indivíduo decidir melhor para si e para os seus amigos.
O Sir Giga tem sido refutado de várias maneiras por várias pessoas e vice-versa. Escolhe tu os argumentos que te parecem mais verdadeiros pois mais ninguém o pode fazer. E faz isso para cada situação.

Joana disse...

É certo que este espaço pode ajudar a quem nunca teve contacto com as praxes a formar uma opinião.
Só que nunca vai ser totalmente seguro, pois para se compreender o que é ser praxado e o que é praxar e necessário experimentar. Além disso, depende muito da personalidade e disposição de cada pessoa, para gostar ou não.

E o mais importante é que as praxes e tudo o que está relacionado com elas, varia muito de faculdade para faculdade.
Adorei participar nas minhas e este ano quando via os caloiros so me apetecia ir rebolar e cantar com eles.

No primeiro dia, vi uma rapariga com uma cara de sofrimento como nunca tinha visto, e no entanto, para ai no 4º ou 5º dia de praxe era uma das que mais participava e divertia. Sim podem estranhar, (diversão!), porque na minha escola esse é um dos principais objectivos para se fazerem praxes. Diversão e integração.

No meu ano, nunca gritaram tanto comigo, nunca rebolei tanto no chão, nunca andei tão suja, e também nunca me diverti tanto como naquelas duas semanas. E timida como sou, também nunca tinha conhecido tanta gente, nem tinha entrado para a tuna, nem vivia os melhores anos da vida como vivo agora.

Por outro lado, tenho conhecimento que existem praxes nojentas, horriveis e humilhantes, e o mais provável é que se entrasse para uma faculdade onde existisse esse tipo de praxe, agora estaria a escrever contra e não a favor dela.

E pronto, resumindo, so queria salientar que a experiência da praxe depende muito, mas mesmo muito, do sitiu e de quem está a praxar.

(Como disse que este era um espaço para formar opiniões, eu aproveitei para deixar o meu contributo!)

PS - penso desculpa algumas gralhas, mas desde ontem dormi muito pouco, já que foi quinta-feira negra e houve praxe ;D

Miguel Castro Caldas disse...

No outro dia comprei um livro num alfarribista do tempo do salazarisomo chama-se «a arte de obdecer», e é incrível o que por ali se diz, o que era considerado natural naquela altura dizer-se. Só o título diz tudo. «a arte de obedecer». Mas de repente lembrei-me das praxes, e então voltei aqui a estes comentários, para perguntar. é o que os senhores praxistas, ou praxeiros, querem fazer, não é? querem ensinar a arte de obedecer.