quarta-feira, 28 de outubro de 2009

«O que eu penso das praxes», por João Pacheco

Mais um texto «O que eu penso das praxes». Já várias pessoas nos deram o seu contributo. A lista de todos os textos está na coluna lateral do blog. Espreitem-na para conhecerem mais opiniões.

João Pacheco (n. 1981) é jornalista. Passou pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, pela Orientale de Nápoles e pelo CENJOR, em Lisboa. Tem trabalhado como jornalista desde o início de 2005, sobretudo no Público, na Visão e na revista do i. No Verão de 2007 recebeu o prémio de jornalismo Gazeta Revelação 2006 do Clube de Jornalistas, aproveitando para falar sobre precariedade perante o Presidente da República e os restantes convidados. É membro do grupo anti-precariedade Precários-Inflexíveis. Durante a faculdade, foi activista do MATA.


O QUE EU PENSO DAS PRAXES

Parece-me que a praxe cheira mal da boca. Cheira a bafio e a formatação para a carneiragem, cheira a tradição quase sempre inventada e perigosa, cheira ao pior que há na espécie humana: cheira à propensão para humilhar.
A praxe cheira mal da boca e não só. Porque a praxe tem o patrocínio de marcas de cerveja e a benção de muitas faculdades e politécnicos, cheira também mal o que está por detrás da praxe e o que está depois da praxe.
Caras pintadas? Palavrões? Música pimba? Tudo isso me é indiferente. Quem quiser palhaçar que palhace livremente. O que me irrita os pêlos das narinas é o objectivo mais ou menos consciente da praxe: vergar, torcer, quebrar, preparar para uma vida de joelhos.
O que eu penso das praxes tem a ver com uma pergunta: Já repararam que as gerações cada vez mais precarizadas são as gerações que passaram pelas universidades em Portugal quando a praxe estava a ser ressuscitada? Isto anda tudo ligado.

16 comentários:

Anónimo disse...

Espanta-me a ousadia de em frases vindas do Tempo de Salomé, com ironia mal-edificada deitas fora o que nunca foi teu....
O que eu acho, é que se calhar, tu não foste bem engraxado, foste daqueles que se acha superior, porque não queres envolver com as massas. Não quero estar ao lado das Massas! Quero estar ao lado da MATA! Na mata é que eu fico bem...onde o único ponto em comum é dizer MATA!MATA!MATA! E matamos tudo! Matamos séculos de história,onde matamos ou abolimos tudo o que é tradição académica!! MATA tudo! Mas engraçado é ver-vos nas Queimas das Fitas...mas a queima não é uma festa Académica? Não faz parte da tradição? Mas ai nós, os que MATAM, vamos!Pois...a coerência é algo que se demora muito tempo a ganhar e perde-se num ápice.

ser.r.alves disse...

Reparo que está na moda a tentativa vergonhosa de descredibilizar os outros com histórias falsas.
Ver-nos na Queima das fitas?!?!
Mas donde é que tiraste essa ideia??
Ouve lá, lá porque tu conheces alguém que se diz anti-praxe, ou anit-tradição académica, e vai à queima das fitas, não quer dizer que alguém do MATA vá à queima das fitas.
E mesmo que fosse não sei em que é que os argumentos anti-praxe diminuiriam.

Anónimo disse...

Já vi que não percebes nada de praxe! A Queima das Fitas faz parte da Praxe Académica...e se este argumento não te diz nada...mal vai a defesa...
Quanto à presença de indivíduos que se dizem da MATA na televisão e depois bem uns copos na Queima...são os teus "camaradas"...pergunta-lhes!

ser.r.alves disse...

Para quê justificar...? Enfim, cá vai disto:
- Bem, não sei de quem é que estás a falar mas tão pouco importa. Não estou a ver ninguém do MATA a ir benzer fitas ao bispo. Talvez estejas a falar das festas académicas associadas...? Isso talvez fosse possível. Eu tenho diversos amigos e alguns deles estão-se bem a cagar se determinado concerto é feito em ambiente de tradição académica ou não. Mas se quiserem ir ver fazem-no, e se eu estiver com eles não vou deixar de ir por causa disso. E não vou sentir estar a quebrar nenhum princípio por o fazer. Se calhar tenho de aturar à minha frente uns tipos a berrar "Viva o meu curso!" ou "Orgia é em Biologia!" mas pronto, são sacrifícios que se fazem para estar com uns amigos a ver um concerto. No entanto, não considero que a organização de concertos, folias nocturnas, jantares de curso, sejam propriedade da tradição académica, mesmo que o sejam realizadas com essa desculpa.
Por isso eu dizia que mesmo que fosse não sabia em que é que os argumentos anti-praxe diminuíam.
Mas como estou nisto há já muito tempo esqueci-me que às vezes é preciso escrever tudo do princípio ao fim.

- Normalmente, para não gerar muita confusão, as pessoas referem-se às praxes quando falam daqueles ritos iniciáticos que tu e eu conhecemos bem. Bem sei que há aí uma corrente de pessoas que tem como pretensão ligar a praxe a um conceito mais alargado de actividades que se dizem da tradição académica. Fazem isso, talvez com o sentido de, não conseguindo defender as praxes, englobam-nas num conjunto maior, a que chamam Praxe (com P maiúsculo, tal é o pretensiosismo) e tentam-na defender nesse patamar. E, lá está, tentam juntar qualquer actividade académica nessa Praxe (tradição académica), seja os concertos, ou o actividade de conhecer pessoas pela primeira vez, qualquer dia o acto de ir às aulas também faz parte da tradição académica. De facto, qualquer dia não sabemos de que estamos a falar.
Mas o MATA tem assistido a essa evolução de conceitos e estamos atentos. Já escrevemos, falámos, lemos e pensámos muito sobre isto. Estamos cá desde os anos 90.

Enfim, espero que estejas esclarecido quanto ao meu ponto de vista.

Diana disse...

Ahahahah!
"séculos de história"
Ahahahahahahahah!

E mesmo que fosse assim... há algumas coisas que têm séculos de história e contra as quais sempre lutarei.

Bastian disse...

Mas quem é o imbecil que além de protestar anonimamente vem falar de "séculos de história" e de que se vai "matar toda a tradição académica".

Começa a faltar a paciência para ser capaz de ser capaz de ouvir uma opinião infundada, generalizada, pobre, a raiar no histerismo sem ter de descer ao insulto...

Será que na ausência de argumentos inteligentes têm de recorrer à generalização e comentários infundados?

Quantas vezes já se disse que a praxe é algo que é realmente secular e tradicional EM COIMBRA e que noutras zonas do país é coisa com menos de duas décadas de existência? Que eu saiba secular=algo que existe há séculos não cabe bem em vinte anos...

Mais, não se fala de acabar com toda a tradição académica (aliás, devo recordar que a praxe não faz parte da mesma, senão desde há muito muito pouco tempo?) mas de tentar mudar hábitos adoptados que são usados como pretexto (não digo por todos, mas infelizmente por muitos) para dar azo a abusos de ordem física ou psicológica?

Anónimo disse...

Bastian e Diana:
A ignorância é atrevida...
Sim têm séculos de história.. a praxe académica tem séculos de história... e basta para existir num só local- neste caso Coimbra - é a prova evidente da sua existência....
E a minha discussão é em torno da praxe académica....e não da PRAX´S comummente aceite... Falo só e apenas da Praxe académica....
Discuto a forma como ele é feita, não aceito a sua existência, dado a mesma ser intemporal..!

Anónimo disse...

Lapso -> "Discuto a forma como ela é feita, não aceito a sua inexistência, dado a mesma ser intemporal"

Bastian disse...

A ignorância é atrevida, mas a ileteracia é ainda mais tramada. Se fosse a ti aprendia a ler antes de andar a postar (ainda por cima anónimo..)

Porque se soubesses do que falas terias reparado que eu referia-me à praxe, que fora de Coimbra não é tradição coisa nenhuma. Aliás, fui explícito o suficiente.

Portanto quando vêm alunos que NÃO SÃO de Coimbra falar da praxe e da grande tradição que é nas suas respectivas universidades... mas que tradição têm nas VOSSAS universidades?? Uma que é ainda mais nova do que eu sou?

Isso não é tradição. É um mau hábito. Como fumar ou beber em demasia...

Mas como disse, já gastei mais palavras do que alguém que tem problemas de interpretação na própria língua materna é possivelmente capaz de digerir e entender.

zetkin disse...

Antes de mais, devo dizer que, ao ler este post, achei que me tinham roubado as palavras. Toca-se aqui numa das questões fundamentais de toda a problemática. A praxe é grave por si só, mas pior ainda é o que está por trás. O que é feito do movimento estudantil? O que é feito da consciência, da aprendizagem e formação pessoal que, à priori, se esperaria de um estudante do ensino superior?

Em relação à discussão que surgiu nos comentários, pergunto-me se alguém conhece, realmente, os "séculos de história da praxe" ou se são chavões atirados para o ar. Se, realmente, conhecem a história da praxe, gostaria então que me explicassem o porquê do orgulho que têm nela. Anónimo, se quiseres tentar...
Eu conheço a história, sei como surgiu e evoluiu a praxe académica e é por isso que o argumento da tradição não pega. Primeiro, a grande maioria não conhece essa tal história e segundo, aqueles que a conhecem não a conseguirão, nunca, defender.

RICARDO disse...

Voçês estão muito mal habituados.... muitos vem para aqui falar mal porque só deram conta que não podem trajar no final do ano de caloiro... são uns tristes que andam aí.... O principal objectivo da praxe é a integração dos alunos mais jovens na comunidade académica da academia, seja qual ela for... na minha academia, ninguém tem razão de queixa de NENHUM superior.... voçês falam em carneirismo. carneirismo fazem-no voçês. Nós exercemos o espirito uno...

VIVA A PRAXE. VIVA A TRADIÇÂO ACADÉMICA

Ovelha disse...

méééééeé

Napalm disse...

@RICARDO

Tu é que és o carneiro, acreditas em tudo o que te empurram pela garganta abaixo.

O traje pode ser utilizado por todos os alunos do ensino superior.

E quanto à praxe ser integração, isso é a maior treta de todos os tempos. Isso foi um estratagema utilizado no pós 25 de Abril para instaurar novamente a praxe. Como saímos dum regime repressivo, a praxe (também ela repressiva) criou o lobby da integração.
Tretas digo eu!!!
Existe (ou não) integração porque as pessoas passam tempo juntas, mas o objectivo principal da praxe é achincalhar (a integração é uma consequência). Exercer poder. Ou não viesse a praxe de uma organização militar. Queres tropa alista-te. Não venhas é agora com o complexo de jesus, dizeres que sofreste por isto ou por aquilo. O teu pai não te castigou quando eras pequeno, e agora procuras refúgio na praxe. Queres que te digam que foste um menino mau, não é?!
És apenas engodo...

Essa integração seria sempre realizada sem praxe porque as pessoas vão passar tempo juntas à mesma porque são do mesmo curso, faculdade, etc.

Não bastava seres praxista senão também ignorante.

Anónimo disse...

Só para deixar uma breve opinião. Vocês que não conhecem a praxe por dentro não a poderão criticar. Aceito claro que há por aí muita "Má" praxe por essas faculdades e institutos fora, mas há também uma praxe diferente, em certas faculdades, que defende toda a tradição, que até em Coimbra se está a perder. Acho que ver, criticar e discutir a praxe como um todo é errado, já que difere de faculdade para faculdade, de universidade para universidade. É também errado confundir tradição académica com praxe, a praxe é uma parte da tradiçõ académica e não o todo.

serraleixo disse...

"Vocês que não conhecem a praxe"????

Anónimo disse...

Muito interessante mas seguindo o vosso ponto de vista há algo estranho: como é que gerações caracterizadas cada vez mais pela sua insubordinação e sedentarismo aceitam estar vinculadas a praxe de livre e espontanea vontade (e podem desistir a qualquer altura)? Já pararam para pensar que se calhar é porque que gostam? Se calhar sentem-se mais livres na suposta subjugação em que podem "fazer figuras" (de livre e espontanea vontade mais uma vez)como se não tivessem responsabilidades do que na sociedade que os censura... Pode acabar sujo, é verdade, mas ninguem diz que brincar é mau por as crianças tambem jabardarem. Pode acabar cansado e com dores musculares, mas tambem ninguem é contra os ginasios por deixarem as pessoas assim. Em Praxe aprende-se o dever que temos para com os outros, a não pensar só em nós num mundo cada vez mais individualista onde predomina a lei do mais forte. Posso dizer com todo o orgulho que já abdiquei do meu tempo-livre para fazer uma açao de beneficência organizado pelo mesmo grupo de preto acusado de humilhar. Nunca me obrigaram a fazer nada que não quisesse, nunca foram contra a minha integridade física e moral (e isto inclui ofensas e humilhação). Mas vá se calhar tive sorte nos praxistas e tipo de praxe que tenho. Dizem que percebem de praxe? Quem percebe o verdadeiro sentido de praxe continua la! Ninguém está lá para trajar porque o traje é academico; ninguém passa lá um ano só para poder humilhar os outros porque quando chegar ao fim tem uma perceçao completamente diferente do que significa e da responsabilidade que é.
Não gostam ou não concordam? é convosco, estão no vosso direito. Se há praxes "más"? Claro que há, mas lá esta, estão a fazer mal a praxe. No entanto, criar um grupo que quer abolir algo que é opcional e voluntário em todo o seu percurso e persuadir a comunidade a ter uma imagem sobre algo à priori é exagero.