segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Família de Diogo Macedo quer reabrir o processo

Família de estudante morto depois de praxado quer reabrir processo-crime
Público (n.º 6784, 27.10.2008, pág. 8) - Natália Faria

Mãe de Diogo Macedo espera que, no decurso da acção cível, surjam novos elementos que permitam apurar responsabilidades na morte do estudante de 22 anos, em Outubro de 2001

Foi marcada para 14 de Novembro a próxima sessão do julgamento da acção cível interposta por Fátima Macedo, mãe de um jovem que morreu em Outubro de 2001, alegadamente na sequência de uma praxe a que foi sujeito na Universidade Lusíada, em Famalicão.
Fátima Macedo reclama uma indemnização de 210 mil euros à Minerva - fundação que detém a Lusíada. No entanto, segundo adiantou ao PÚBLICO a advogada Sónia Carneiro, o que a família espera é que no decurso desta acção surjam novos elementos que permitam reabrir o processo-crime que o Ministério Público (MP) arquivou, em Janeiro de 2004, por incapacidade de determinar quem foram os responsáveis pelas agressões que acabaram por provocar a morte de Diogo Macedo.
"Houve uma investigação criminal, que durou três anos, mas que se mostrou inconclusiva porque o Ministério Público conseguiu determinar que o Diogo foi vítima de agressões mas não conseguiu apurar a autoria dessas agressões", recorda Sónia Carneiro, dizendo-se convencida de que "a investigação ficou aquém do que poderia ter ido".

Muro de silêncio
Porque não têm "capacidade investigatória para apurar novos elementos", os advogados da família decidiram, em Janeiro de 2007, avançar com a acção cível agora em julgamento, esperando que, sete anos volvidos, "as testemunhas consigam 'lembrar-se' do que aconteceu durante a praxe".
O muro de silêncio que se criou entre os elementos da tuna da Lusíada, a Académica, onde Diogo Macedo, então com 22 anos, tocava pandeireta, terá sido um dos entraves ao processo. Na sessão da passada quinta-feira, o próprio juiz largou um desabafo acerca da "impossibilidade de quebrar o muro de silêncio" em torno daquela morte. De facto, as três testemunhas ouvidas continuam a afirmar-se incapazes de descrever o que se passou na noite em que Diogo foi praxado. "Há uma espécie de amnésia...", lamenta Carneiro.

Caloiro na tuna
Factos: Diogo andava no 4.º ano do curso de Arquitectura, mas nunca passara de caloiro na tuna, sendo por isso frequente vítima das praxes perpetradas pelos colegas.
Na noite de 7 de Outubro de 2004, uma segunda-feira, preparava-se para jantar em casa quando recebeu um telefonema que o levou a ir ao local onde a tuna estava a ensaiar.
Por volta das 23h30, os pais receberam um telefonema a avisar que o Diogo tinha sido transportado para o hospital de Famalicão. Dali seguiu para o Hospital de São João, no Porto, onde entraria em coma profundo.
A máquina que o ligava à vida acabaria por ser desligada a 15 de Outubro. Na sessão de quinta-feira, a médica legista que elaborou o relatório da autópsia confirmou que "as lesões infligidas ao Diogo contraíram--lhe o cerebelo, lesão que o levaria a desfalecer e, mais tarde, a entrar em coma", segundo relatou ao PÚBLICO Sónia Carneiro. Já as testemunhas, elementos da tuna Académica à data dos acontecimentos, confirmaram apenas que Diogo foi praxado - mais exactamente obrigado a fazer flexões e agredido com uma revista no pescoço - tendo sido encontrado mais tarde inconsciente na casa de banho.

Houve suspeitos, mas nenhuma prova
Andreia Sanches

O relatório da autópsia do cadáver de Diogo Macedo desfia um rol de lesões: um hematoma extenso no cerebelo; fractura da primeira vértebra cervical; duas escoriações no lábio; uma escoriação na orelha direita; múltiplas equimoses no tórax; múltiplas equimoses na região lombar; uma equimose no testículo...
Houve um inquérito, ouviram-se testemunhas (estavam 19 pessoas no edifício onde o jovem perdeu os sentidos antes de ser transportado para o hospital), a polícia tinha suspeitos. Aliás, um colega de Diogo chegou a ser constituído arguido. Mas, em 2004, o Ministério Público (MP) concluiu que era impossível "imputar à acção de qualquer pessoa concreta" a produção das "lesões traumáticas crânio-encefálicas e cervicais" que determinaram a morte do jovem de 22 anos.
Diogo nunca passara de caloiro na tuna - era "tuninho" na gíria. A 8 de Outubro de 2001 participou num ensaio, perdeu os sentidos, foi transportado para o hospital e acabou por morrer no dia 15. Ao longo desses dias esteve em coma.
No dia do funeral, a 16 de Outubro, a cerimónia foi interrompida por um oficial de justiça. Um médico do Hospital de São João lançara a suspeita de que Diogo teria morrido na sequência de uma praxe violenta. A autópsia então feita revelou as lesões fatais. O médico, esse, suicidou-se pouco depois. "Fica assim por explicar os motivos que o levaram a veicular tal suspeita", lê-se no despacho de arquivamento do MP.
A universidade falou com os alunos, mas não instalou qualquer procedimento formal para averiguar os factos, uma vez que a Polícia Judiciária já estava a investigar. A tuna negou qualquer acto de violência. E, a 18 de Fevereiro de 2004, uma equipa da Inspecção-Geral do Ensino Superior foi à Lusíada para ver se o assunto "estava apaziguado". Concluiria que mesmo que Diogo tivesse sido agredido, não era possível apurar se tal teria acontecido nas instalações da universidade.
Já o Ministério Público acredita que o que quer que tenha determinado a produção das lesões que mataram Diogo "terá ocorrido com elevado grau de probabilidade" nas instalações da Lusíada entre as 22h15 e as 22h30 de 8 de Outubro de 2001.


13 comentários:

ser.r.alves disse...

Não importa realçar o impacte que neste caso a praxe teve porque é, de facto, demasiado chocante inclusive, penso eu, para aqueles que praxam. O que importa realçar é que de facto na praxe, as coisas acontecem num momento, as boas e as más. E nesse momento praxantes (e por vezes os próprios praxados) estão desprovidos de uma racionalidade capaz de prever as consequências dos seus actos.
Por mais que tentem negar a praxe abre portas a todo o tipo de atentados à pessoa humana.

Ponnette disse...

A partir do momento em que dizes «sim» sem saberes a quê, muito menos serão as oportunidades reais de vires de repente a dizer «não». Entretanto ficas dentro daquilo, ficas completamente envolvido... e vais-te enterrando... e depois como sair daquilo?
Entretanto os golpes vão-se agravando e tu já nem percebes da estranheza de te fazerem uma coisa terrível. Já te parece normal porque foi só mais um milímetro que da última vez.
É como a violência doméstica. Joga também com o amor, com a rotina, com o hábito, com milhões de ligações ao mesmo tempo que se tornam difíceis de quebrar de repente.

rui garcia disse...

Rui garcia, garanto e posso afirmar que na minha academia este caso teria culpados e seriam levados perante a justiça civil, mas nunca antes de serem julgados por nós forum praxis, o que garanto que não é nada agradavel, são orgãos reguladores de praxe que fazem falta e cada vez mais, o que este colega sofreu foi 1º lugar uma agressão e não praxe, as tunas têm sempre praxes privadas, mas sempre controladas por nós. por esta razões é que a proibição da praxe é sempre prigosa

Daniela. disse...

O que me espanta é que se continue a achar que esse tal fórum praxis ou essas tais comissões de praxe têm alguma legitimidade para julgar seja o que for. Espanta-me ainda que haja quem não entenda o perigo, a arbitrariedade e a estupidez dessas entidades [inventadas pelos jogos praxistas - e se há aí alguém que ache que esta palavra não existe, então que dê espaço ao neologismo e não percamos muito tempo a discuti-lo] se auto-regularem/auto-julgarem. Isso não serve senão para perpetuar a autoridade arbitrária que tanto gostam de sentir e pôr em prática, não serve senão para continuarem a proteger-se por baixo dessa pseudo-justiça trajada pelo desrespeitável traje negro.

Filipa disse...

Isto é obviamente um caso de violencia extrema e não de "praxe". Fui praxada quando entrei na faculdade e foi das melhores semanas que passei aqui. Conheci imensa gente, tanto do meu ano como acima e fiz amigos para a vida. De momento estou na tuna da minha faculdade, sou caloira e é espectacular. Para além de ser tudo gente impecável, a grande maioria (eu não incluída, infelizmente) são boas alunas e já ganharam bolsas de mérito. Isto do "movimento anti tradição académica" é uma coisa tola. Quem quer ser praxado é praxado, e quem não quer não é. Não é correcto que por haver um grupo de pessoas sem escrúpulos que são capazes das maiores atrocidades e crimes, toda a gente que gosta da tradição académica, em particular as tunas, tenha de pagar e levar com algumas coisas em cima. É pena, mas isto acontece com tudo no quotidiano: são os pretos que são ladrões, os ucranianos que vêm para cá todos roubar, quem vive em bairros estranhos é de certeza má gente, etc, etc. O racismo aparece de todas as formas e no fundo todos somos racistas. É pena mas é verdade.

Jo disse...

Muito curiosa a ideia de que a praxe não é violenta só quando não existem agressões físicas. Para mim a praxe já violenta por si só, apenas pela imposição do - eu só melhor que tu porque estou cá há mais anos e por isso se queres ser alguém aqui vais ter que te sujeitar aos meus caprichos. Repele-me ainda mais a ideia de que a praxe é algo de extremamente necessário e indispensável para fazermos amigos para a vida e que sem ela tal feito é impossível. Porque as pessoas simplesmente não podem, porque não conseguem, fazer amigos para a vida na primária ou na preparatória porque não há praxe. Grande lição de como fazer amigos: em troca de uns favorzinhos meus que estou cá e percebo disto, tens que lamber merda, fingir que fodes com pessoas que acabaste de conhecer, levar com comida podre em cima, etc. E para quê? Para no ano seguinte andares a fazer a mesma barbaridade aos outros? Para teres esse prazer?! Isso acho mais do que simplesmente tolo, acho doentio. Acho também doentio basear uma amizade no sentimento de partilha de um mau momento, aquela filosofia da guerra - nós que juntos passámos por tantas adversidades e sofremos tanto juntos, é isto que nos une! Mas porquê?! Para quê passar por isso?! Não me venham falar de lições de vida!! Não me venham falar de que tens que aprender a obedecer cegamente para seres alguém!! Somos uns moralistas, nós os portugueses. Fartámo-nos de espalhar a moralidade nos descobrimentos. Outra coisa que me faz confusão, mas o mérito de uma pessoa deve-se ao canudo, ao posto, ao ano em que está? Uma pessoa é impecável só porque tem boas notas? Eu devo viver mesmo noutro mundo, porque para mim, o valor de uma pessoa mede-se pelos seus actos! e caramba! Tirem estes actos fora do contexto da universidade e o que é que eles são? Crime, atentado à integridade, violência física e psicológica. Uma pessoa quando chega aos 18 anos já devia ter alguma noção sobre comportamento social e respeito mútuo. Integração? Eu não me quereria integrar num grupo de pessoas capazes de tais actos mascarados de brincadeiras. A praxe é uma porta aberta para tudo o que é abuso. A praxe é um abuso em si, a começar na sua teoria. É perfeitamente normal e previsível que aconteçam coisas destas nestes ambientes, e não é por causa das pessoas serem boas ou más, é por causa do que a praxe É! E isso é que é o mais triste.

Maria João disse...

Fui praxada na Universidade de Évora, em 1993. Obrigaram-me a beber aguardente e cerveja ainda pela manhã.Humilharam-me gritando-me e dizendo que eu não valia nada, que era um reles verme...Tiraram-me todo o dinheiro que tinha comigo (10 contos), actualmente seriam 50 euros. Consegui sair de lá aterrorizada e a chorar compulsivamente. Nas noites seguintes não conseguia adormecer com o medo de mais represálias...no ano lectivo seguinte, uma caloira foi para o Hospital de Évora em coma alcoolico, originado pelas mesmos rituais de praxe que me foram aplicados... Sou totalmente anti-praxe e por mim era suspensa para sempre! Descansa em Paz Diogo Macedo! Se falhar a Justiça dos homens, não falhará a Justiça Divina! Maria João - Pinhal Novo - Setúbal

Ana Gomes disse...

Maria João, eu estudo em coimbra e acredita.. coma alcoólico é ás dezenas todas as noites aqui. Isso já não me choca. Mas defacto vejo aqui muitos "doutores" que berram aos ouvidos dos caloiros e com megafones também. Eu também sou totalmente contra a praxe.

Anónimo disse...

http://sic.sapo.pt/programasInformacao/scripts/videoplayer.aspx?ch=jornal%20da%20noite&videoId={E0F316EF-501A-4A7E-B63F-84FEED47DB40}

aqui passo o link da reportagem que passou á dias na sic .. vejam o video. a noticia do DIOGO MACEDO esta quase no fim.. vejam quem esta a mentir.. se são os jornalistas os medicos. ou o juiz. o DIOGO nao faleceu com nenhum aneurisma, o DIOGO LEVOU PANCADA DOS PSEUDOS COLEGAS.. ASSASSINOS.. SE FOSSE MEU FAMILIAR JÁ ONDE VOCES ESTAVAM..

Anónimo disse...

para o thyrs
deves estar a ter um desgaste enorme com tanta justificação repetitiva..queres convencer que? toma juizo.. é facil ver que a tua historia esta mal contada!! olha lá porque é que não pões um processo por difamação á FELICA CABRITA? olha se fosse eu ja o tinha feito..

Anónimo disse...

Esse "médico maluco anti-praxe" é primo de um "PJ maluco a favor das praxes". Eu sei porque são os dois meus primos. Tenho a certeza que quem chamou maluco ao médico que denunciou o caso vai adorar conhecer o tipo da PJ e a sala em que ele trabalha. Marcamos o encontro, ou as meninas da tuna estão com medufe?esse medico maluco.nao era bruxo! foi o colega dele drºCUNHA RIBEIRO.que num jantar 2 ou 3 dias antes confidenciou ao ANTONIO GUIMARAES.que o DIOGO não tinha possibilidades de sobreviver. tanto ele como o tio do DIOGO sabiam o que se estava a passar.o que eles queriam,poupar os PAIS DO DIOGO de um desgosto destes.AFINAL O MEDICO MALUCO.TINHA RAZAO:
outra coisa ele nao era contra as praxes.nao altura tinha um filho a estudar em coimbra que por opção dele nao foi praxado.nao sei se os pais ou familiares do DIOGO.a falar com ele. mas sei que mãe foi chamada á universidade. para o processar. ao qual ela recusou..mais tarde. após a morte do ANTONIO. tive conhecimento que o filho dele falou com a mãe do DIOGO

Anónimo disse...

A praxe é a coisa mais doentia que conheço. Graças a esta porcaria, estive 5 anos com uma depressão e sem dúvida queria morrer. Quando acabei o meu curso decidi Portugal só para não correr o risco de um dia me encontrar com uma das criaturas com que infelizmente estudei.

Anónimo disse...

tribunais comprados;
policias corruptos;
gente "suicidada";

alguém anda mesmo preocupado em calar isto á séria...