quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Estudantes fazem campanha de agitação no fim do mês

Associações de estudantes do ensino superior público dizem que "futuro do Ensino Superior é negro". Protesto está marcado para o dia 29 de Novembro 
Texto de Lusa • 08/11/2011 - 19:49 



Várias associações de estudantes do ensino superior público decidiram realizar uma campanha nacional “de agitação”, que engloba uma petição e uma manifestação no dia 29 de Novembro, do Marquês de Pombal até à Assembleia da República. Em conferência de imprensa realizada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, João Fonseca, da Associação de Estudantes desta faculdade, afirmou que “o futuro do Ensino Superior é negro” e criticou a “desresponsabilização do Estado” relativamente ao Ensino Superior Público.

Os estudantes exigem mais financiamento, maior autonomia para as instituições de ensino superior e o reforço dos mecanismos de acção social, quer pelo aumento do investimento, quer pela melhor aplicação das verbas já disponíveis. Segundo João Fonseca, os sucessivos cortes no financiamento, “300 milhões nos últimos anos e mais de 100 milhões previstos no próximo Orçamento do Estado, têm trazido cada vez mais problemas às instituições”.

“No ano passado, 11 mil estudantes ficaram sem acesso à bolsa de estudo e 12 mil viram a bolsa reduzida”, realçou, defendendo que “é imperioso reforçar o apoio aos estudantes mais carenciados, precisamente devido à situação financeira das famílias portuguesas”.

Da campanha nacional faz ainda parte uma petição a solicitar a intervenção da Assembleia da República com vista “à resolução da situação precária e intolerável do Ensino Superior em Portugal”. A campanha nacional decorrerá no mês de Novembro, coincidindo com a discussão do Orçamento do Estado para 2012, explicou João Fonseca. Os estudantes queixam-se de as propinas terem sido aumentadas para o tecto máximo e de terem sido criadas novas taxas e emolumentos.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

4 notícias reveladoras da política actual para o Ensino Superior (ainda) Público

Cerca de dez mil alunos vão perder a bolsa de estudo

O número de estudantes bolseiros no ensino superior vai voltar a descer este ano. Cerca de dez mil alunos deverão perder o apoio, a maioria dos quais devido ao fim do regime transitório que vigorou no ano passado. Com as regras do novo regulamento de Acção Social, os indeferimentos deverão chegar quase aos 30%, o número mais alto dos últimos anos.

Cortes na Acção Social atingem 5,2 milhões em 2012

Os Serviços de Acção Social (SAS) das instituições do ensino superior - que apoiam os estudantes em áreas como o alojamento, alimentação, bolsas de estudo, entre outras - vão gastar 65,7 milhões de euros em 2012, o que representa um corte de 5,2 milhões em relação a este ano, de acordo com os cálculos do PÚBLICO feitos com base nos mapas da despesa dos SAS que acompanham a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2012.

Dívida do Estado deixa três mil jovens sem crédito

São mais de três mil os estudantes do ensino superior que podem perder o crédito bancário que os ajuda a pagar a faculdade, porque o Estado tem uma dívida para com a entidade que gere a linha de empréstimos.

Anualmente, cerca de três mil jovens tentam obter financiamento para frequentar o ensino superior. Este revés no sistema de atribuição de crédito pode significar o não-ingresso ou o abandono de muitos estudantes.

Cortes no ensino superior vão ultrapassar os 178 milhões

Os cortes nas despesas das instituições do ensino superior vão ultrapassar os 178 milhões de euros no próximo ano.

De acordo com a análise do PÚBLICO aos mapas que integram a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2012, as despesas de 13 universidades e 17 institutos politécnicos vão totalizar 1,4 mil milhões de euros, o que representa uma quebra de 178,9 milhões (11,1%) em relação aos valores inscritos no Orçamento de 2011.

domingo, 30 de outubro de 2011

Praxes em Espanha

Novatadas universitarias salvajes
Dos colaboradoras se infiltran en estas supuestas bromas de integración

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Associação Académica de Lisboa gere "saco azul" com o aval das associações de estudantes

Texto de Bruno Horta • 15/10/2011 - 14:07, Jornal Público

Conta paralela na CGD regista movimentos nunca escrutinados, o que já levou a várias demissões na direcção

A actividade financeira da Associação Académica de Lisboa (AAL) está a ser gerida através de uma conta bancária paralela desde 2010, o que já levou a várias demissões na direcção.

A conta foi aberta na Caixa Geral de Depósitos (CGD), num balcão existente no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Tem como primeiro titular Luís André Fernandes Castro, 29 anos, estudante do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa e presidente da direcção da AAL desde Fevereiro de 2010.

Luís Castro foi eleito por um ano e reeleito a 3 de Março deste ano. É também presidente da Secção Oriental de Lisboa da Juventude Social-Democrata. E, ao que o próprio escreve num blogue, foi membro da comissão política de Cavaco Silva na candidatura à Presidência da República e um dos mandatários da juventude de Pedro Passos Coelho.

Movimentos bancários "inexplicáveis"

Documentos a que o PÚBLICO teve acesso demonstram, por exemplo, a existência de nove depósitos em dinheiro no mesmo dia, a 17 de Maio: 21 mil, 300, 400, 475, 440, 200, 145, 250 e dois mil euros. Além de pagamentos de 194,60 euros num restaurante e de 420 euros num hotel, também em Maio. Nesse mês, entre os dias 9 e 14, decorreu a Semana Académica, uma festa com música ao vivo.

"Estes e outros movimentos, a proveniência e o destino são inexplicáveis", diz fonte próxima da direcção. "Todos os elementos da direcção, da assembleia geral e do conselho fiscal da AAL, e membros de muitas associações de estudantes de Lisboa sabem da existência da conta paralela, mas só duas ou três pessoas na AAL conhecem os extractos", garante.

Um vice-presidente eleito em Março, Tiago Rapaz, afastou-se da AAL a 18 de Setembro, alegando, na carta de demissão, que "a existência na CGD de uma conta bancária paralela, titulada individualmente por alguns elementos da actual direcção", é "repugnante". Não foi possível apurar quais os outros titulares da conta.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Lusíada condenada por praxe

24 de Outubro de 2011, por Sónia Graça, Jornal Sol

O Tribunal de Famalicão condenou a Universidade Lusíada a pagar 91.350 euros de indemnização, por danos morais, à mãe de Diogo Macedo, estudante do 4.º ano de Arquitectura que morreu em Outubro de 2001 depois de ter sido submetido a uma praxe nas instalações da universidade, em Famalicão.

A Fundação Minerva - Cultura - Ensino e Investigação Científica (proprietária da Universidade) «deveria ter agido no sentido de proibir esse tipo de comportamentos de pseudo-praxe, mais próprios de instrução militar» – lê-se na sentença, proferida a 22 de Setembro pelo 5.º juízo cível daquele tribunal, que conclui: «Não o fazendo, (a Fundação) contribuiu para o resultado ocorrido».

Há dois anos, o tribunal já tinha dado como provado que a morte de Diogo, na altura com 22 anos, se deveu a lesões provocadas durante uma praxe violenta nas instalações da tuna académica. Condenada a pagar, nessa altura, cerca de 90 mil euros à família da vítima (que avançou em 2007 com um pedido de indemnização), a Universidade recorreu para a Relação do Porto, que anulou o julgamento e determinou que fosse realizada uma segunda audiência.

Mas o veredicto do tribunal manteve-se: a Lusíada foi de novo responsabilizada por omissão do dever de cuidado: «Ficou provado que a ré omitiu qualquer controlo das actividades, alegadamente praxistas, daquela Tuna, em nome das quais ocorreu a morte de Diogo».

O juiz vai mais longe: «Estando nós perante uma academia (...) que ministra cursos de Direito há vários anos, tendo por isso a obrigação de estar mais ciente de todos os direitos, valores e normativos que foram postos em causa, mais se torna premente considerar que esse dever (...) deveria estar mais presente nas mentes dos responsáveis».

Novo recurso
Contactada pelo SOL, a instituição adiantou que mais uma vez voltou a recorrer desta decisão, argumentando que «tem sempre pautado a sua conduta no sentido de assegurar o bem-estar e segurança de todos os seus alunos, declinando toda e qualquer responsabilidade» por estes factos.

domingo, 16 de outubro de 2011

"Praxis", no DOCLisboa



Todos os anos, os estudantes sujeitam-se a rituais de iniciação ao ingressarem nas universidades. As praxes, assentes em tradições e obedecendo a uma hierarquia estruturada, ganharam uma nova vitalidade na última década. Reúnem cada vez mais adeptos, que exultam com linguagem sexual explícita, jogos de poder e diversas formas de humilhação.
21 OUT. 21:00 - Culturgest - Pequeno Auditório
26 OUT. 17:00 - Culturgest - Grande Auditório

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Faz-me lembrar os prisioneiros de Guantánamo...

...de cabeça tapada, de cabeça baixa, andando em fileira, com roupas uniformizadas, sem ver nem saber para onde vão, sem saber porque estão ali, nas mãos de pessoas que não conhecem que os guiam ao destino que decidiram por eles e para eles, sem julgamento, sem defesa,...
...um verdadeiro atentado à pessoa humana...

Praxes numa escola do Instituto Politécnico de Castelo Branco


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Caloiros obrigados a beber e a fumar

Por: Secundino Cunha, Correio da Manhã
Praxes: ‘Doutores’ da Universidade do Minho acusados de abusos

Uma dezena de pais de alunos que este ano entraram para a Universidade do Minho estão indignados com a violência das praxes praticadas em vários cursos, nos pólos de Braga e Guimarães, e admitem fazer uma exposição ao Ministério Público e à reitoria da Universidade.


"Os que se auto-intitulam doutores obrigam os caloiros a ingerirem grandes quantidades de bebidas alcoólicas, logo pela manhã, a fumar e, o que é mais grave, a faltar às aulas para marcarem presença nas sessões de praxe", disse ao Correio da Manhã um dos pais, que preferiu não se identificar, com receio de represálias sobre o filho.

Para este pai, que está disposto a levar o caso até às últimas consequências, "o que se passa, em termos de praxe, na Universidade do Minho ultrapassa todos os limites". Adianta que "os chamados doutores agem com total impunidade, como se fossem os donos da academia".

"Não é admissível que os alunos se convençam de que o primeiro ano é para chumbar porque os colegas mais velhos resolvem estender a praxe pelo ano todo, em vez de a confinarem à chamada semana de recepção ao caloiro", disse ao Correio da Manhã Manuel Almeida, outro dos pais indignados.

Contactado pelo CM, o vice-reitor Rui Vieira de Castro disse que "a reitoria da Universidade do Minho repudia com toda a veemência quaisquer exageros nas praxes e promete instaurar processos de averiguações, que podem evoluir para processos disciplinares, em todos os casos concretos que lhe chegarem ao conhecimento".

Referindo que não teve, pelo menos até agora, conhecimento de nenhum caso de exagero nas praxes, Rui Vieira de Castro pede a todos os que possam ser vítimas de tais atitudes que as comuniquem à reitoria.

Na Universidade do Minho, a semana de recepção ao caloiro terminou na sexta-feira, mas as praxes irão continuar até Maio do próximo ano.

REITOR RETIRA DO PROTOCOLO A FIGURA DO 'PAPA'
O reitor da Universidade do Minho, António Cunha, tem lutado contra todos os exageros nas praxes, pretendendo que "essa prática se restrinja à semana do caloiro e decorra de forma civilizada". Uma das primeiras atitudes antipraxe foi retirar do protocolo da recepção ao caloiro a figura do ‘Papa’, que é o aluno com maior número de inscrições na Universidade do Minho. "Não fazia sentido pôr o pior dos alunos a dar as boas--vindas aos novos estudantes", justificou a reitoria.
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Estivemos num debate na Universidade do Minho em Dezembro de 2008. Como em todos os lados onde vamos, disseram-nos que ali não havia abusos. Aliás, garantiram-nos. Considerar uma acção de uma praxe um abuso ou não é evidentemente subjectivo. E também na Lei é subjectivo, embora se protejam determinados direitos.
Artigo 13.º [da Constituição Portuguesa] - Princípio da igualdade
1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.
Artigo 25.º - Direito à integridade pessoal
1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.
2. Ninguém pode ser submetido a tortura, nem a tratos ou penas cruéis, degradantes ou desumanos.
Se os alunos se acharam submetidos a abusos e não conseguiram fazer valer os seus direitos enquanto estavam a ser praxados, vendo-se obrigados a denunciar a situação aos pais, então cometeu-se um crime. E esse crime deve ser julgado.

A reitoria primeiro diz que não tem conhecimento de abusos na praxe na sua Universidade mas depois o Reitor admite que tem lutado contra todos os exageros nas praxes. Se luta contra eles é porque eles existem. Ou seja, não feito o possível para prevenir os abusos. Estão apenas à espera que lhes caiam em cima dos joelhos, como agora, para depois fazerem qualquer coisa.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Testemunho de uma praxe

O seguinte testemunho chegou à caixa de correio electrónico do MATA. Depois de se pedir autorização à pessoa que o enviou publica-se agora no blogue. A gravidade da situação é gritante.
(a identidade do autor do testemunho e a faculdade foram ocultadas)

«Olá eu sou um aluno do de uma faculdade de Lisboa, estou a escrever-vos para expor e dar dum desabafo de situações que ocorreram devido às praxes praticadas neste estabelecimento de ensino.
 
Eu tive e ainda ando a ter uma muito má experiência devido às praxes.
Na minha faculdade é muito frequente haver cânticos muito homofóbicos com nomes como p******** e afins, simulações de actos sexuais onde a homossexualidade é tida com uma coisa negativa e repugnante, e essa homofobia acaba por ser transposta para todo o ambiente académico/escolar.
Acontece que eu descobri a minha homossexualidade quando já estava no 2º ano na minha faculdade, apesar de estar no 1º ano do curso por eu ter mudado de curso, e o que eu senti foi uma enorme repressão e um enorme pânico. Devido a toda a homofobia que se vive senti que ia ser excluído e mal tratado se fosse descoberto. Senti-me mal em estar na faculdade, senti que não era bem vindo lá, senti que lá eu não podia ser "eu" sob pena de ser excluído. Devido a isso tudo o meu rendimento escolar desceu imenso.
Entretanto, acabei por me assumir e contei ao pessoal as razões porque eu me sentia mal, e o resultado foi muito negativo, disseram que não iam parar os comentários só por haver um gay na faculdade e nós tínhamos de apanhar com aquilo e aguentar, cheguei a falar e expor a minha situação a pessoal que pertence à comissão de praxes tendo obtido o mesmo resultado.
Devido a essas situações, fui pedir apoio ao gabinete de apoio ao aluno na minha faculdade, o qual me pediu para expor o caso por escrito ao presidente da faculdade. Assim o fiz e não obtive resultados práticos nenhuns. Devido a isso decidi fazer uma denúncia do que se passava à inspecção geral do ensino superior onde expus o meu caso, e daí resultou um auto de declaração que foi enviado à faculdade, tendo resultado num inquérito onde são confirmados esses cânticos homofóbicos, mas esses são considerados aceitáveis, por supostamente não serem dirigidos a ninguém e de serem tradição lá há muito tempo. Para além disso relatei o caso ao observatório da educação da rede ex aequo, onde o meu caso apareceu referido no seu último relatório e onde foi noticiado na comunicação social.
Resultado, agora ando a sofrer uma grande retaliação verbal e psicológica, com ameaças indirectas a minha integridade física, o pessoal passa a vida a mandar-me bocas e apontar-me o dedo, os meus supostos amigos abandonaram-me completamente, sinto uma grande hostilidade no ambiente na faculdade e sinto-me completamente sozinho, não tenho apoio nenhum por parte da faculdade, e até tenho receio vir a ser prejudicado nas notas. O que vale é que tenho tido apoio de verdadeiros amigos de fora e que se não fossem eles eu não estaria aqui hoje.»

O mais grave nisto tudo, para além de mais uma prova da homofobia presente na maioria das praxes conhecidas que lhes confere um carácter retrógrado, discriminatório e extremamente ofensivo, é a falta de capacidade das instituições em lidar com um caso criminoso, de discriminação com base na sexualidade de uma pessoa, punível por Lei, evidente e até confirmada por um inquérito que ocorreu e continua a ocorrer nas praxes.
A praxe está fora da Lei e isso é inadmissível!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Vídeo mostra o orgulho da praxe portuguesa...

‹‹Por falar em vídeos patéticos, parece que a Associação Académica de Coimbra apostou na internacionalização. O resultado é esta gosma.

Durante mais de 4 minutos mostra o orgulho desta malta nas actividades académicas em Portugal. Começa com um grande repto: ‹‹Do you think you know how to live your student life? This is how we do it in Portugal...›› e de seguida mostra logo os mais velhos a mandar nos mais novos (e é completamente claro no que isso significa), passa para o alcoolismo, mostra a tradição do uniforme, pelo meio há a história (lutas estudantis, coisa importantíssima na actualidade - e nos anos 60 não foi por acaso que a praxe caiu em desuso, mas isso não interessa agora), há a Queima das Fitas - o maior evento estudantil da Europa, em 2º lugar no consumo de cerveja depois do Oktober Fest -, um carro alegórico em chamas, um casal a pinar em cima de um carro, a tourada... Enfim... Vejam, vejam. E orgulhem-se.››

Publicado originalmente no 5dias.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Queima deixa rasto de 16 toneladas de lixo e 15 stands vandalizados

Sempre que o MATA faz um mural político numa parede pública os praxistas vêm sempre queixar-se de "vandalismo", "destruição de património público"... Na verdade, não é proibido fazê-lo, apesar de por algumas vezes terem tentado impedir, nomeadamente, a polícia, e de até ter chegado a tribunal um caso desses em que o MATA participou. Mas o resultado é sempre o mesmo: "o que não é proibido pode-se fazer" e assim acontece com os murais que o MATA faz.

A notícia seguinte é para a auto-crítica de quem proclama a tradição como uma coisa muito limpinha e inócua e cheia de valores morais.


Coimbra. Queima deixa rasto de 16 toneladas de lixo e 15 stands vandalizados
O cortejo da Queima das Fitas de Coimbra, em que participaram, na tarde de domingo, 106 carros alegóricos, deixou nas ruas da cidade por onde desfilou e artérias circundantes, “16 toneladas de resíduos sólidos”, segundo fonte da autarquia.

Durante a reunião da Câmara, na tarde de hoje, a vice-presidente da câmara, Maria José Azevedo Santos, lamentou os “excessos” cometidos, durante a Queima das Fitas, pelos estudantes dos diferentes estabelecimentos de ensino superior da cidade e muitos forasteiros.

Reflexo desses “excessos” é, designadamente, a “vandalização de 15 stands” dos já 70 instalados no Parque Verde do Mondego, para a realização da feira do livro da cidade, que abre no próximo fim de semana, disse a autarca social democrata.

Sublinhando que não se quer imiscuir nas questões da Academia de Coimbra, Maria José

Azevedo Santos, propôs que a câmara promova, para o ano, reuniões, designadamente, com os organizadores da Queima das Fitas para os sensibilizar no sentido de “que sejam regulados os excessos”.

“Quero os estudantes irreverentes”, mas “não posso aceitar que vandalizem o património”, como sucedeu também, por exemplo, com a ponte pedonal sobre o Mondego, disse a autarca, reagindo a advertências dos vereadores eleitos pelo PS.

“O pior que nos pode acontecer é tentarmos ser paternalistas em relação à Academia ou tentarmos impor-lhe regras”, alertou o socialista Carlos Cidade, considerando que a Queima das Fitas, que é “a maior festa de Coimbra, tem muitos mais aspetos positivos que negativos”.

Daquelas 16 toneladas, “6,5 toneladas eram garrafas de plástico e latas de bebidas”, revelou o vereador do CDS Luís Providência, eleito pela coligação PSD/CDS/PPM, que detém maioria no executivo.

Luís Providência, responsável pelo pelouro do Ambiente, sublinhou o facto do vasilhame em vidro recolhido, imediatamente a seguir ao desfile, ao final da tarde de domingo, corresponder apenas a meia tonelada de resíduos.

A “reduzida quantidade de vidro” recolhido pelos serviços de higiene e limpeza da autarquia resulta, em boa medida, com certeza, das campanhas de sensibilização que têm sido desenvolvidas junto dos estudantes e distribuidores de bebidas, no sentido de evitarem o uso de recipientes de vidro, acredita o vereador.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Braga: confrontos entre alunos da Católica e sem-abrigo

Quando o vazio rebenta é possível identificar as vítimas. O problema é que esta actividade que se conhece como praxe, só vai dando uns estalidos, rapidamente silenciados e ignorados. Esta praxe, como conhecemos, dizem os defensores da sua prática, tem muitos valores e princípios, como respeito e outros que me são caros. Mas rapidamente se percebe que não. (vejam que o que se passou vem de alunos de Filosofia!!)
A notícia que se segue vem do Expresso de 15 de Março.
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Tudo terá acontecido quando "veteranos" da Faculdade de Filosofia obrigaram caloiros a acordar um grupo de sem-abrigo durante uma praxe.

Alunos da Universidade Católica que participam nas praxes envolveram-se esta noite em cenas de pancadaria com um grupo de sem-abrigo, em Braga.

Os incidentes começaram quando cerca de três dezenas de estudantes da Faculdade de Filosofia (FAC/FIL) da Universidade Católica de Braga, com um grupo de caloiros que praxavam, se terão dirigido aos sem-abrigo que descansavam nos claustros da Rua do Castelo, no centro de Braga. Esta foi a versão unânime dos vários transeuntes, parte dos quais chamaram a PSP.

Segundo os relatos de comerciantes e lojistas da Rua do Souto (a principal artéria comercial da cidade dos arcebispos), "já tinha havido problemas entre os próprios estudantes trajados e os caloiros na Rua do Janes", uma viela contígua à Rua do Souto e ao Largo do Barão de São Martinho, perto do Café A Brasileira.

Já depois dos primeiros incidentes e agora na presença de agentes da PSP, quer fardados, quer à paisana, os estudantes da Universidade Católica de Braga voltaram para trás e tornaram a envolver-se em incidentes com os sem-abrigo.

Estudantes eufóricos

Dois destes cidadãos contaram ao Expresso que "os estudantes mandaram os caloiros meter-se com a gente várias vezes seguidas e nós estávamos a dormir descansados".

Os estudantes, contatados pelo Expresso no local, mostravam-se eufóricos e apesar das insistências do jornalista, não conseguiram apresentar qualquer versão. Só uma das estudantes do curso de Ciências da Comunicação da Universidade Católica, fez questão de afirmar ao Expresso que "não podemos pagar todos por aquilo que só alguns fizeram".

O Expresso não conseguiu contatar esta noite o director da FAC/FIL da Universidade Católica, Alfredo Dinis, que não se encontravam no Campus, nem qualquer responsável pela Associação de Estudantes da FAC/FIL.

A PSP, que esteve no local durante quase uma hora, registou os incidentes presenciados por muitas pessoas que ao princípio da noite saíam das lojas.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Alunos do superior já pediram 150 milhões de euros emprestados

Dinheiro para a Banca!!! Aqueles a quem emprestámos dinheiro, porque fizeram merda da grossa, a juros baixíssimos e que agora nos cobram 7 vezes mais por nos emprestar aquilo que lhes emprestámos, estão também a lucrar por empréstimos que os nossos estudantes precisam de fazer para pagar o Ensino do Nosso Estado porque o Nosso Estado não tem dinheiro para investir nos nossos estudantes porque emprestou dinheiro aos Bancos para eles nos emprestarem. E se eliminássemos este intermediário desnecessário que é a Banca?
Comentários meus a amarelo.

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 Notícia do Público de 7 de Março, por Samuel Silva

Quase 13 mil alunos recorreram à banca para pagar os estudos, um número que não pára de crescer desde 2007.

A linha de crédito a estudantes universitários criada há quatro anos já disponibilizou 150 milhões de euros a quase 13 mil alunos do ensino superior. O número vai ainda aumentar até ao final do ano lectivo e os responsáveis da sociedade que gere este fundo antecipam que a crise vá resultar num crescimento superior do número de créditos no próximo ano.

Desde 2007-2008 até ao final do ano lectivo passado, mais de 11 mil estudantes tinham recorrido a estes créditos especiais, o que representava um valor total de cerca de 127,2 milhões de euros. Os números referentes a este ano lectivo mostram que, até ao final de Dezembro, se registaram mais 1736 adesões, totalizando 22,2 milhões de euros.

Contas feitas, as 18 instituições bancárias que disponibilizam este serviço já emprestaram 150 milhões de euros aos estudantes. Estes números são ainda provisórios, uma vez que a empresa que gere esta linha de apoio, a SPGM, está ainda a recolher dados juntos dos bancos. Aquela entidade vai, até ao final do mês, publicar um relatório definitivo. As estimativas apontam para que, até ao final do ano lectivo, sejam contratados créditos que elevem estes valores para perto dos 180 milhões.

"Começa a ser um número significativo", avalia o presidente da SPGM, José Fernando Figueiredo, para quem estes valores revelam a "utilidade" do serviço [muito bem posto entre aspas. é útil para quem lucra, chato para quem se endivida]. "Estes 150 milhões não são fundamentais do ponto de vista do negócio da garantia mútua em Portugal, mas para nós são muito importantes, porque significa apoiar o futuro do país", considera o gestor.

O recurso ao crédito tem "uma distribuição regular ao longo do ano", revela Figueiredo, embora haja três picos de procura: o início do ano lectivo, o início do segundo semestre e a fase final da época de aulas.

Desde 2007, os créditos aos estudantes do superior têm tido um crescimento sustentado, registando-se quase quatro mil novas operações e cerca de 40 milhões de euros de novos créditos por ano. No entanto, o responsável antecipa um aumento "muito substancial" da procura dos empréstimos a partir do próximo ano lectivo. A responsabilidade é da crise, cujo "maior impacto vai começar a sentir-se a partir de agora", acredita.

Estudar as causas

Para as associações académicas, os 150 milhões de euros que vale já o mercado do crédito entre os estudantes universitários são um factor de preocupação. "O sistema de acção social está a falhar. Há um efeito de substituição, porque a acção social não está a chegar a todos os estudantes carenciados", denuncia o presidente da Associação Académica da Universidade do Minho, Luís Rodrigues, que considera "sintomático" que o valor dos empréstimos ultrapasse já a verba que o Estado despende anualmente com as bolsas de estudo.

O presidente da Federação Académica do Porto, Luís Rebelo, concorda que há "milhares de alunos que estão a recorrer aos empréstimos como alternativa à acção social", mas lembra que há também os que vão à banca para poder "manter um nível de vida superior". Para conhecer quem são, de facto, os estudantes que recorrem aos créditos, aquela estrutura associativa vai lançar um estudo para avaliar o perfil dos alunos da academia do Porto que aderiram a este serviço.