quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Faz-me lembrar os prisioneiros de Guantánamo...

...de cabeça tapada, de cabeça baixa, andando em fileira, com roupas uniformizadas, sem ver nem saber para onde vão, sem saber porque estão ali, nas mãos de pessoas que não conhecem que os guiam ao destino que decidiram por eles e para eles, sem julgamento, sem defesa,...
...um verdadeiro atentado à pessoa humana...

Praxes numa escola do Instituto Politécnico de Castelo Branco


25 comentários:

gina henrique disse...

Isto só vai mudar quando a maioria dos caloiros não comparecer às aulas nos dias de praxe.
O problema está em que muitos deles identificam-se com o estilo carneirada e depois fazem o que querem e o que não querem !

Inés disse...

Permitam-me discordar deste movimento. Mas acho que se generalizam casos isolados. Fui praxada e agora sou praxante. Temos pessoas com problemas de saúde dentro da praxe, muitos deles "graves, como epilepsia ou paralisia, e sei que essas pessoas foram integradas e no fim do ano (no ano passado) vieram agradecer aos "doutores pela boa integração e que pela PRIMEIRA VEZ na vida não foram discriminados por causa da sua doença ou tratados como incapacitados. A praxe é uma tradição. Serve de integração. Nós não "mandamos" nos caloiros. Têm todo o direito de não fazerem o que acham que compromete a sua integridade física e psicológica. Eu própria, rejeitei fazer certas coisas que para mim achava que não devia. E não o fiz e ninguém me olha de lado por isso, ninguém me espancou. Farto-me de dizer aos meus caloiros "o código civil ainda se sobrepõe ao código de praxe, por isso ninguém é obrigado a vir para aqui se não quiser e ninguém vos vai bater". Dizerem-me que quem é anti-praxe sofre represálias, eu digo: MENTIRA. No meu curso há muita gente que não foi praxada por opção e toda a gente os respeita. Mas digo que fui praxada e voltava a sê-lo se fosse preciso, porque aprendi o valor da união, da solidariedade, do um por todos e todos por um. Fiz amigos, tanto caloiros como doutores. Chorei de felicidade, de emoção e de orgulho. Vi do que sou capaz de lutar. E hoje trajo e praxo com orgulho em mim, no meu curso e na minha academia. Espero poder passar esse orgulho que tenho nas tradições académicas aos meus caloiros. Tenho um orgulho enorme nos meus padrinhos, que são mais do que eu tinha imaginado que eles iam ser. são meus "mentores2, meus exemplos e acima de tudo meus amigos.
Ah! E para quem diz que os alunos são obrigados a beber e a fumar e coisas do género. Eu nunca fumei e nunca me embebedei, apesar do ambiente que há nas festas académicas e etc. E NUNCA fui posta de parte por causa disso, muito pelo contrário, houve muita gente a elogiar-me a firmeza no que acredito.
Por isso, com todo o respeito a quem tem a opção de ser ANTI- Tradição Académica, mas antes de fazerem juízos, interiorizem-se no ambiente e vejam mesmo se o "detestam".
Com os melhores cumprimentos.

serraleixo disse...

Portanto, estas imagens não te dizem nada, Inês? Isto parece-te normal na praxe? E na sociedade em que vivemos?

Inés disse...

Proponho então que veja estas imagens: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=293347154025916&set=a.205742226119743.59094.100000519011548&type=3&theater

Algo me diz que são demasiado selectivos na informação que aqui põem. Se alguns casos existem de violência, essas pessoas têm que ser deportadas à polícia e não acabar com uma tradição, que se virem bem remonta ao tempo dos reis (se tiverem interesse é só pesquisar), por causa de meia dúzia de pessoas. Tudo depende do ponto de vista de que as coisas são vistas. Mas desculpem-me, não gosto de ver o meu "trabalho" e o de muitas pessoas deitado abaixo desta forma. Porque a praxe tem valores implícitos. Na praxe eu aprendi que ouvir "nãos", na praxe aprendi a lutar contra as adversidades da vida, na praxe testei a minha força e aprendi a não desistir "à primeira", na praxe aprendi o que é lutar por algo que amo e no fim ser recompensada, a praxe aprendi a engolir sapos em prol do bem do grupo, na praxe aprendi a engolir o orgulho e a reconhecer que nem sempre estou correcta, na praxe aprendi o significado de união e espírito de grupo. Desculpem-me quando digo isto, mas acho que a super-protecção está a fazer de nós pessoas menos produtivas. Mas o engraçado é que as pessoas criticam tanto os estudantes e as suas tradições, mas não há movimentos contra a tropa. Porque há bem pouco tempo surgiram imagens horrosas, vergonhosas e tudo o que lhe queiram chamar. De superiores a agredir física e psicologicamente e a comprometer a dignidade de tropas abaixo da sua hierarquia. Isso sim, é indecente. E há muitos casos que não são reportados. Aquele foi, por mera sorte.
A sério, antes de tirarem conclusões precipitadas e antes de generalizarem, procurem saber, procurem informar-se, procurem ver as coisas com outros olhos. Foi o que eu fiz ao vir aqui. Vi os vídeos, li opiniões. Discordo quase totalmente. Não digo que não há excessos, porque os há. Mas isso não é culpa da praxe, é culpa das pessoas. E a essas pessoas deviam ser aplicados castigos. Assim como foi na tropa, a culpa não foi da tropa, mas sim das pessoas.
Espero que percebam "o nosso lado".
Com os melhores cumprimentos.

serraleixo disse...

Acho muito bem que se limpem os jardins das cidades. Mas essa é uma responsabilidade das Câmaras Municipais, não de "caloiros" a mando de "doutores".
Ainda tive esperança de ler algo como "alunos, indistintamente do ano em que estavam da universidade x, limparam em conjunto o jardim da cidade y como chamada de atenção à falta de políticas de conservação dos espaços verdes pela câmara". Mas não, foi de facto uma praxe vazia.
Quanto àquilo que disseste já respondi demasiadas vezes às mesmas questões e não tenho paciência para estar a repetir. Pode ser que outro que aqui venha te responda, se não, procura no blogue a resposta às tuas questões.

Inés disse...

É mesmo impossível demonstrar aquilo que sentimos ao sermos praxados e ao praxar. Nem com mil palavras do mundo quem não passa pela experiência iria perceber. É uma pena, porque é uma coisa pela qual me orgulho de ter passado e estar a passar. É um sentimento de fazer parte de algo maior, de uma tradição antiga (falo por mim quando digo que isso pra mim representa algo grande porque amo tradições e história e tudo o que delas advenha). Devo ser também "suspeita" para falar, porque desde que me lembro que quis ser praxada e vestir um traje. E venho da cidade em que agora estão a dizer que obrigam caloiros a beber, a fumar e a faltar às aulas, quando eu sei que isso é totalmente mentira, porque ninguém obriga nada a ninguém, exceptuando o governo que nos obriga a pagar impostos, mas isso são outros assuntos.
Fico contente é pela tradição não morrer e por ainda haver quem queira ser praxado. E enquanto houver quem queira, as coisas mantêm-se...felizmente.
Se um dia perceberem o que se sente ao fazer parte de uma Academia e das suas tradições, hei-de ficar muito feliz com isso...
Enquanto isso, teremos sempre opiniões diferentes.
Obrigada pelas respostas e bom dia.

serraleixo disse...

Inês, vamos, então, tentar perceber. Para isso peço-te que me respondas às seguintes questões:
1 - Dirias que gostaste da praxe que te fizeram? 100% de acordo (adorei!), a 80% (gostei muito mas houve coisas que nem por isso), a 60% (no geral gostei, mas muitas coisas não teria feito),...?
2 - Descreve-me o teu primeiro dia de praxe, hora a hora. Isto é, no primeiro dia em que chegaste à faculdade, diz-me, primeiro, se foste tu quem foi ter com os veteranos ou se foram os veteranos que foram ter contigo para te praxar, estavas sozinha ou conhecias alguém quando ocorreu a primeira praxe. Faz uma lista, o mais exaustiva que conseguires, em que digas tudo o que fizeste nesse dia, e pela ordem em que ocorreram.
3 - Diz-me o que sentiste em cada uma das praxes por que passaste nesse dia (estavas contente ou triste, gostaste ou não gostaste, sentiste-te ridícula ou no teu papel de sempre, foi divertido ou uma seca, foi cansativo ou poderias ter continuado naquilo o dia todo, preferias não ter feito aquilo ou é uma coisa que normalmente fazes sem dificuldade, etc).
4 - Diz-me como foi a reacção de quem te praxava quando fizeste a praxe e o que achaste que eles sentiram (riam-se de ti ou simplesmente estavam divertidos, estava com ar de gozo ou ar sério, gritava para ti ou falava-te com carinho, estava com ar arrogante e superior ou com uma atitude de igual para igual,etc).
5 - E como foi a reacção dos que te rodeavam e que também estavam a ser praxados? Que achaste que estavam a sentir?

Anónimo disse...

Ó serraleixo, mas tu ainda perdes tempo a escrever um testamento desses, esperando uma resposta sincera da rapariga? Mesmo que ela tenha detestado, obriga-se a dizer que gostou de tudo para não dar parte fraca. É isso que os praxados/praxistas fazem. Choram como bebés durante as praxes e quando as coisas acabam, ADORARAM!!!

Akasha disse...

Opá, acho que voces são uma beca po radicais, há praxes e praxes.
Não sao todas iguais, nem todas abusam.
Eu quando fui pa universidade, por causa de toda essa publicidade negativa ja ia com a ideia de me declarar anti-praxe, mas acabei por decidir experimentar, e desistir se me obrigassem a fazer coisas que eu nao quisesse. Resultado, fiquei até ao fim e sem razões de queixa.
Para mim o maior problema das praxes é o pessoal que praxa pensar "olha vou fazer isto aos caloiros porque tambem me fizeram a mim e estou aqui", quando deviam muitas vezes pensar mais no que é divertido de se fazer para levar a integraçao dos caloiros.
Agora não é por isso que se deve crititar todas as praxes como se fosse tudo o mesmo. Gente parva e com a mania há em todo lado.

serraleixo disse...

Akasha, peço-te que me respondas às seguintes questões:
1 - Dirias que gostaste da praxe que te fizeram? 100% de acordo (adorei!), a 80% (gostei muito mas houve coisas que nem por isso), a 60% (no geral gostei, mas muitas coisas não teria feito),...?
2 - Descreve-me o teu primeiro dia de praxe, hora a hora. Isto é, no primeiro dia em que chegaste à faculdade, diz-me, primeiro, se foste tu quem foi ter com os veteranos ou se foram os veteranos que foram ter contigo para te praxar, estavas sozinha ou conhecias alguém quando ocorreu a primeira praxe. Faz uma lista, o mais exaustiva que conseguires, em que digas tudo o que fizeste nesse dia, e pela ordem em que ocorreram.
3 - Diz-me o que sentiste em cada uma das praxes por que passaste nesse dia (estavas contente ou triste, gostaste ou não gostaste, sentiste-te ridícula ou no teu papel de sempre, foi divertido ou uma seca, foi cansativo ou poderias ter continuado naquilo o dia todo, preferias não ter feito aquilo ou é uma coisa que normalmente fazes sem dificuldade, etc).
4 - Diz-me como foi a reacção de quem te praxava quando fizeste a praxe e o que achaste que eles sentiram (riam-se de ti ou simplesmente estavam divertidos, estava com ar de gozo ou ar sério, gritava para ti ou falava-te com carinho, estava com ar arrogante e superior ou com uma atitude de igual para igual,etc).
5 - E como foi a reacção dos que te rodeavam e que também estavam a ser praxados? Que achaste que estavam a sentir?

Inés disse...

Bem, para quem diz que não vou responder sinceramente, aqui vai a minha resposta mais sincera (desculpem responder agora, mas não é um blog que frequente muitas vezes)
1- Diria que gostei da praxe a 80% e posso explicar bem porquê, agora que fui praxada e praxo. Porque a praxe é feita por pessoas e como pessoas que são erram e há outras pessoas que tentam ser o mais correctas possível, mas em 40 doutores havia simplesmente 1 de quem eu não gostava a praxar e que não sabia praxar, tanto é que foi proibido. Mas digo-vos que foi a ser praxada por ele que eu me senti mais picada a fazer flexões e aguentei coisa que pensava que não aguentava. Dos doutores que eu gostava a praxar, havia uns mais divertido que outros, uns com mais imaginação que outros, óbvio. Nunca fiz nada, NAD, que fosse contra os meus princípios. Por exemplo, mandaram-me várias vezes imitar um orgasmo e eu como acho isso uma perfeita estupidez nunca o fiz e ninguém me bateu.
2- Lembro-me perfeitamente do meu primeiro dia de praxe como se fosse hoje. Via todos os doutores de outros cursos à procura dos caloiros e não via ninguém do meu curso e eu queria muito ser praxada, sempre quis e então fui ter com uma doutora de um curso a pedir para me levar aos doutores do meu curso. Encontrei uma doutora trajada e mais dois destrajados à beira dela. Mandou-me olhar para o chão (posição normal de praxe), e mandou-me várias vezes porque ao falar com ela tinha a tendência de olhar para ela. Pedi-lhe para me pintar a cara e ela perguntou-me em tom de brincadeira se era eu que lhe dava ordens e eu respondi que não, que só estava a sugerir. Ela riu-se e mandou-me procurar colegas. Foi o que fiz, fui procura-los, envergonhada como sempre, mas entre conversas, agora passado um ano, todos dizem que me acharam louca por estar tão contente. Fomos ter com os doutores e ensinaram-nos músicas, as posições de 4, de 3 e olhar sempre para o chão e ensinaram-nos que caloiro é solidário, ou seja, que quando um faz asneira, todos pagam de igual forma.
3- Todas as praxes dependiam do meu humor. Se eu estivesse bem, encarava as praxes na brincadeira ou de forma que não me aborrecesse. Se eu estivesse mal humorada, à mínima coisa, eu chateava-me. Não me senti ridícula, sempre gostei de ir para casa com o meu curso estampado na cara literalmente, sempre andei a mostrar as minhas unhas pintadas da cor do curso a toda a gente. Muitas vezes, quando se faltavam ideias para coisas para se fazer, aborrecia-me, mas quando se arranjava, principalmente as praxes que envolviam ficarmos todos, desculpem a expressão, cagados, eras as melhores porque era onde nos divertíamos mais.

Inés disse...

4- Tive doutores de todas as formas, arrogantes, divertidos, carinhosos, resmungões. Mas sempre, à excepção daquele que foi proibido de praxar, sempre que eu não me senti bem ou tinha problemas com as lentes de contacto ou uma vez que me deu um ataque de tosse mesmo forte, sempre se preocuparam comigo para saber se eu estava bem e afastaram-me até eu me "recompor". Lembro-me de ter chorado uma vez em praxe. E lembro-me de me ter rido muitas. Lembro-me de uma praxe que foi a que menos gostei, mas que mais me fica na memória e me faz ver como valeu a pena. Lembro-me de chegar a casa (residência) com as minhas amigas, até já tinha comprado o traje e disse "eu não quero saber, eu vou desistir e quero lá saber do dinheiro que gastei a comprar o traje". Elas responderam-me que eu só estava a falar de cabeça quente e que adorava o traje e adoro e apesar de muitos de vocês acharem triste ver-nos assim vestido porque significa praxe, eu sinto orgulho, muito! Porque aquele traje representa todas as minhas memórias destes meus anos, que eu considero os melhores. Todos os bons e maus momentos, todas as pessoas e amizades, tudo. É para isso que serve a nossa capa, para marcarmos memórias das pessoas que nos são importantes.
5- O que estavam a sentir não sei. Houve reacções muito diferentes como é normal. Havia pessoas que não gostavam e por isso algumas delas desistiram. Houve pessoas como eu. e houve pessoas que se divertiram imenso e que se pudessem eram caloiros a vida toda.
Eu já percebi que é impossível fazer-vos ver o nosso ponto de vista, assim como é impossível nós vermos o vosso. O que vocês acham que é humilhação, eu encaro como brincadeira e como, de certa forma, lições. Nunca fiz nada que não queria, nunca nenhuma praxe me fez entrar em depressão nem me fez achar menos pessoas nem achar que me queria suicidar! Fui feliz em praxe. Vejo vídeos e fotos e dá-me nostalgia e agora que praxe, só queria ser praxada outra vez. Lembro-me bem do primeiro dia deste ano em que disse "vou-me juntar a ele para ser praxada outra vez".
Conheci pessoas fantásticas. Fazemos amigos pra vida e mais do que amigos, essas pessoas passam a ser como irmãos porque passam o mesmo que nós, exactamente ao mesmo tempo, com alguns estamos 24 sobre 24 horas juntos. Passamos por provas de entre-ajuda.

Inés disse...

Quanto aos doutores, há alguns que como pessoas eu não gostava e ainda assim respeitava-os, acho que é isso que temos que fazer no emprego não é? E outros, outros que posso dizer que são maravilhosos, pessoas extraordinárias! Como o meu Padrinho. Foi praxado, foi mister caloiro no ano dele, foi um doutor exemplar, sempre nos protegeu de tudo, se havia confusão fora de praxe, ele tirava-nos de lá, sempre nos respeitou, sempre nos divertiu. Saiu à noite, apanhou as suas bebedeiras (só para que conste eu bebo, mas nunca apanhei uma bebedeira e estou no 2º ano da universidade), fez amigos (irmãos), nunca foi a exames, nunca deixou uma cadeira para trás, foi de Erasmus e fez estágio. É uma pessoa que sabe bem o que quer da vida e tem excelentes valores. É super divertido e amigo. E foi um excelente padrinho e é um excelente exemplo a seguir e eu tenho muito orgulho em dizer que ele é meu padrinho. Agora, tenho uma afilhada, estou a conhece-la, mas gosto muito dela e espero vir a ser o orgulho dela. Porque há dias com os padrinhos que nunca se esquecem, nomeadamente o baptismo quando somos oficialmente afilhados deles, o traçar da capa na serenata da queima que foi o que mais me marcou até hoje e o cortejo onde passamos de 4 na câmara e passamos a ser doutores. Não atribuo a conotação de doutores como tendo um doutoramento, porque simplesmente não temos, e em muito temos de caminhar, muitos não vão conseguir, eu devo ser uma delas, espero chegar a mestre.
Espero ter respondido a todas as perguntas como queria que fossem respondidas, desculpem os meses de atraso.
Espero que percebam que percebo o vosso ponto de vista, ou melhor não percebo, mas percebo que muita gente não queira ser praxada e isso é um direito, é o direito à decisão. Mas entendam que há muitas pessoas, como eu, que o querem fazer e isso também é um direito. Ninguém obriga ninguém. conheço muita gente contra pessoas anti-praxe, eu acho que não devemos ter confrontos desses, cada um tem a sua opinião: nem "nós" devemos pôr de parte ninguém porque não é praxado nem as pessoas que não são praxadas devem "acabar" com a nossa praxe. É simples e ficamos todos felizes.
Para nós é uma tradição e para mim é um orgulho poder envergar o meu mui nobre traje pela cidade com os meus caloiros a cantar músicas de Natal. Ou só envergar o traje já é um orgulho.
Desculpem o testamentos, sei que não vos vou fazer mudar de ideias, mas ainda assim é bom partilhar... Saudações e boas entradas a todos.

Inés disse...

Bem, desculpem mesmo, o grande testamento de 3 (ou 4) comentários.

serraleixo disse...

Obrigado, Inês, pelas tuas respostas! E não te preocupes com a extensão das mesmas!
Aliás, queria-te pedir, se não for de mais, que respondesses às 2º e 3ª questões que te coloquei com mais pormenor. Ou seja, gostava que descrevesses mesmo o que tiveste de fazer e o que sentiste quando o fizeste. Que coisas fizeste, qual achas que era o objectivo de cada actividade que te proponham fazeres, que acontecia se não fizesses (os veteranos insistiam para que fizesses ou não?), qual o conteúdo das canções que cantavam, etc. Enfim, acho que sabes onde quero chegar.

Inés disse...

Pronto, então no primeiro dia de praxe, lembro-me de chegar lá procurar por doutores do meu curso, como referi encontrei aquela doutora, depois fui procurar colegas de turismo como ela me tinha pedido, parece que eu era a única super entusiasmada, consegui arranjar e depois fomos ter com os doutores, mandaram-nos "alinhar" por alturas, ensinaram-nos a primeira música que era "E quem bate palmas é azul! É azul! E amarelo!!!" e mais músicas do curso e de insulto aos outros cursos e escolas, ensinaram-nos as posições de caloiro, pintaram-nos e coisas desse género. Fazíamos muitas vezes pirâmides humanas, fizemos tantas coisas, umas que eu gostava outras mais físicas que não apreciava tanto. Punham-nos a improvisar, fazíamos teatros, dançávamos, jogávamos às cartas humanas, coisas desse género. Depois quando alguém desrespeitava ou algo do género havia praxes mais físicas de encher, fazer abdominais, correr, etc. Havia "praxes psicológicas" que os doutores faziam pressão para desistirmos, nunca ninguém desistiu nessas praxes.
E sim, sempre que eu não queria fazer algumas coisas, os doutores insistiam, depois era uma questão de quem fosse a pessoa a receber a "ordem", eu quando havia alguma coisa que não queria fazer, não fazia e pronto, e eles mandavam fazer outra coisa do género ficar de quatro ou encher ou algo do género.

serraleixo disse...

Obrigado, Inês!
Parece-te saudável uma relação entre pessoas jovens-adultas que se acabaram de conhecer descrita desta forma?:
- mandaram-nos...;
- ensinaram-nos as posições de caloiro;
- pintaram-nos e coisas desse género (que coisas desse género?);
- outras (...) que não apreciava tanto;
- Punham-nos a...
- quando alguém desrespeitava (...) havia praxes mais...
- havia praxes psicológicas (o que é isto?)
- os doutores faziam pressão
- os doutores insistiam
- receber a "ordem"
- mandavam fazer outra coisa
- ficar de quatro.

Eu sei que depois de passares por isto tudo e, portanto, já estares "integrada" na praxe (já fazes parte da elite que pode praxar), vai ser muito difícil admitir que foste vítima de abuso e que agora serás tu a abusar de alguém.

(Nos 4 comentários anteriores poderás encontrar coisas que escreveste semelhantes a estas que transcrevi deste teu último comentário. Para mim, este tipo de relação é psicopatológica e portanto muito pouco saudável. As consequências de tal relacionamento e comportamento são imprevisíveis mas de certeza não serão positivas, por mais que tu digas que tenhas gostado de passar por essas experiências e tenhas conhecido muita gente. É como um soldado dizer que gostou da guerra porque fez muito bons amigos lá, embora tenha havido coisas de que "não apreciava tanto"... percebes, Inês?)

Inés disse...

Sinceramente? Não percebo. Eu estou no meu segundo ano e só queria voltar a ser caloira! E isto não é mentira. Se reparar bem, o que fez aos meus comentários é um erro muito comum da comunicação social, especialmente a imprensa cor-de-rosa. É retirar as partes que lhe interessam. E os bons sentimentos que eu tirei da praxe, o senhor (suponho que sejam um senhor) não salientou? Pois digo-lhe que vivi muitos, mas mesmo muitos. A vida assim o é, há momentos maus e momentos bons, mas o que nos dá alento em ultrapassar os maus momentos são os bons momentos, ou não é assim? Digo-lhe que ao ouvir músicas de algumas boas tunas portuguesas, coisa que também descriminam não sei bem porquê (não estou a falar dos tunos, mas sim das tunas, são coisas diferentes), bem ao ouvir músicas de tunas percebo como é bom ser estudante, principalmente noutra cidade, como é bom ser estudante e ser integrado na praxe, são momentos que não se esquecem mesmo nunca e que nos dão lágrimas de felicidade. Quem me dera nunca sair da universidade. E já lhe disse, não vou pedir-lhe para que me perceba, porque não vai. Mas gostava...

Inés disse...

http://www.youtube.com/watch?v=aBsrzoVvC18

se conseguir, ouça... arriscaria a dizer que nenhum estudante que está no seu último ano da universidade, fica indiferente a esta música, independentemente de onde esteja a estudar...

serraleixo disse...

Bem, eu não queria, como costuma acontecer, transformar isto numa discussão de gostos. Gostaste de ser praxada? Bom para ti!
Eu gosto de passar tempo com os meus amigos de outra forma. Mas não é isso que está em causa.
O que quero é falar do resto, do que não costuma aparecer na imprensa cor-de-rosa (porque a imprensa cor-de-rosa fala das coisas "bonitas", ou que se querem bonitas, e cor-de-rosa, e a imprensa sensacionalista quer é falar de número de feridos, das vítimas, do sangue).
Para mim, a praxe é praxe quer se goste dela ou não, quer aja sangue ou não. E foi essas coisas que salientei ali atrás e que gostava que comentasses. Não te estava a perguntar se gostaste ou não.
Se conseguires, por um momento, ser objectiva em relação a esta discussão e não apenas emocional talvez percebes o que quero dizer.

Quanto à música que puseste, mais uma vez, não vamos discutir gostos, ok?
Diz-me, porque tem de ser este o estilo de música dos estudantes? Porque têm os estudantes de ter um estilo musical único?
Porque é que são as tunas que representam as faculdades e não outros grupos musicais de estudantes?
Porque é que não há um concurso de bandas para ver quem vai representar a faculdade? (o que seria mais democrático)
Porque é que a faculdade tem de ter um grupo musical que o represente?

Outras questões
Porque têm os estudantes de se identificar com um traje?
Porque é que esse traje e o seu uso têm de ter regras tão restritas e limitadas?
Porque é que temos de parecer todos iguais? Temos de esconder alguma coisa?
Porque é que temos de seguir uma tradição?
O que é um tradição e para que serve?

Porque é que tem de haver um ritual de iniciação na faculdade?
Porque é que têm de ser separados os estudantes em caloiros e veteranos? Porque é que os alunos se tem de dividir por faculdades, cursos e anos? Só podem conviver e iniciar o ano dentro do grupo a que pertencem?
Porquê e para quê este segregacionismo? Mesmo que encontres uma razão (não sei qual) achas que é mais importante do que a liberdade que representa não ter um rótulo?

Esta separação em grupos "étnicos" não te faz lembrar nada?
E a identificação de um determinado grupo (através das vestes) em favorecimento de outro, também não te faz lembrar nada?
E a remoção de determinados direitos a um grupo por causa da sua condição em relação a outro não te faz lembrar nada?
Parecem-te práticas saudáveis?

Ana disse...

Isto de generalizar casos e tipicamente português...
Quando acontecem alguns casos, que nem de praxe se pode chamar ao que aconteceu, porque o que fizeram não é praxe, não tem nada de praxe, já se fazem manifestos para acabar com tudo.
As coisas são muito simples, quem quer fazer parte da praxe, estar pela praxe esta, quem não quer não está.
tenho amigos que não fazem parte da praxe e nem por isso deixamn de ser meu amigos.
Ninguém obriga ninguém a estar.
Agora devido a casos isolados estarem a generalizar todos os praxados/praxistas não tem assunto.
Para criticar toda a gente esta pronta.
Quanto ás tradições, tudo tem uma tradição, não é só a praxe, daqui a nada tas a perguntar porque é que cada pais tem um hino e uma bandeira e costumes que o caracterizam e por ai fora.
Eu também não gosto de muita coisa, e quando não gosto por e simplesmente não faço parte.
ADOREI SER PRAXADA, ate mais que praxar.
E recomendo que experimentem, gostam ficam, não gostam vão embora.
É como tudo na vida.

Inés disse...

O que a Ana respondeu era o que eu ia responder. Daqui a pouco pergunta porque é que há História. Porque é que houve Reis e Rainhas e Nobreza e Clero e Burguesia e Povo. E consequentemente depois vai perguntar porque é que há vida. Isso são respostas que não existem. Desculpe ser emocional, mas é assim que eu sou e se não houver dose de emoção na vida, a vida é muito má seja pra quem for. Se quer saber porque é que há tunas, vá ao início da história das faculdades e das tunas. Daqui a bem pouco tempo está a perguntar porque é que há o Fado!
Porque é que há tradição?? As tradições são aquilo que nos identifica enquanto povo! Não quer ser igual, não seja, mas saiba não sê-lo, senão qualquer dia está como os condutores que vão em contra-mão nas estradas (são eles que estão certos e os outros todos errados). E essa liberdade de que tanto fala também se aplica aos praxistas e praxados, nós queremos ter a liberdade de ser praxados e praxar quem quer ser praxado, é só isso. Diga o que disser, é bom fazer parte de algo e os grupos são coisas inevitáveis, porque ninguém é igual, mas muitas vezes encontramos pessoas com quem nos identificamos, a sociedade sempre foi, é e há-de ser assim.
Não estamos a falar de melhor ou pior, quem praxa e usa traje não é melhor ou pior que ninguém. Os patrões também não são melhores ou piores que os empregados.
Agora eu acho que por essa ordem de ideias deveria criar um blog contra todas as religiões do mundo. Era só uma ideia.

serraleixo disse...

Lamento, mas nem tu nem a Ana responderam. Repetiram aquilo que já tinham dito. As questões que coloquei ficaram sem resposta.

Beko disse...

Diz-me, porque tem de ser este o estilo de música dos estudantes? Porque têm os estudantes de ter um estilo musical único?
Não tem de ser este, nem nenhum outro. As faculdades em si mesmas são representadas pelos seus órgãos e por quem escolham para as representar. As tunas são aenas autorizadas, quando o são, a utilizar o nome da faculdade. Representam enquanto tuna, não enquanto equipa de futebol, por exemplo.
Nunca ninguém disse que os estudantes tinham de ter um estilo musical único, este apenas é o estilo tradicionalmente associado (o que não tem valor em si mesmo) aos estudantes.
Porque é que são as tunas que representam as faculdades e não outros grupos musicais de estudantes?
Não são. Se organizarem um concurso de bandas universitárias vai lá quem quer, não são as tunas quem representa a faculdade. Agora, se fizerem festivais de tunas, não estou a ver uma banda de ska a fazer nada lá no meio.
Porque é que não há um concurso de bandas para ver quem vai representar a faculdade? (o que seria mais democrático)
Não há? Já fui a alguns organizados por AE’s, o que mesmo assim não lhes dá o direito de representar o que quer que seja.
Porque é que a faculdade tem de ter um grupo musical que o represente?
Não tem, a maioria não tem.
Outras questões
Porque têm os estudantes de se identificar com um traje?
Não têm, mas devem poder. Simples liberdade de escolha.
Porque é que esse traje e o seu uso têm de ter regras tão restritas e limitadas?
Porque senão não era um traje, um uniforme. Era só roupa.
Porque é que temos de parecer todos iguais? Temos de esconder alguma coisa?
Quem se quiser identificar aceita a homogeinizaçao. Aceita porque sente que é importante na integração. A mentalidade de grupo é perigosa, como se sabe, mas também pode ser satisfatória na medida em que o esforço de integração se torna menor.
Porque é que temos de seguir uma tradição?
Não temos, ninguém segue só porque sim, a não ser nos casos em que a lei o prevê e protege (caso dos usos e costumes que são fonte de direito). Mas podemos segui-la, se quisermos, normalmente porque ouvimos histórias que a elevam aos nossos olhos.
O que é um tradição e para que serve?
Uma tradição é apenas a manutenção continuada de um conjunto de procedimentos ao longo do tempo. Não tem fim em si mesmo.
Porque é que tem de haver um ritual de iniciação na faculdade?
Não tem de haver, como não há em muitos sítios. Onde há é porque se acredita que o momento de entrada na faculdade marca um ponto de viragem na vida dos estudantes. Nesse sentido, é necessário que: 1. Percebam o que é uma faculdade e quais os valores que lhe são intrínsecos; 2. Conheçam bem as pessoas com quem vão passar os próximos anos, idealmente através da criação de espírito de grupo, criado por resistência (o que não implica recusa) às praxes.
Porque é que têm de ser separados os estudantes em caloiros e veteranos?
Não são separados, bem pelo contrário. Com as praxes acabam por se juntar mais do que sem elas.
Porque é que os alunos se tem de dividir por faculdades, cursos e anos?
Não têm, apenas acontece no início. É bom ser parte de algo maior que nós e que nos distinga dos outros. Eu por exemplo sou benfiquista, mas também torço pela seleção juntamente com todos os aficionados de outros clubes. Na universidade é o mesmo.

Beko disse...

Só podem conviver e iniciar o ano dentro do grupo a que pertencem?
Se estiveres na praxe é assim que começa. Não estou a ver o pessoal a dar-se todo com pessoal de outros cursos, tendo aulas em sítios diferentes, preocupações diferentes, medos diferentes. Eu quando entrei na faculdade comecei por tentar conhecer o pessoal do meu curso, independentemente das praxes. Depois conheci gente de todos, mesmo nas praxes.
Porquê e para quê este segregacionismo? Mesmo que encontres uma razão (não sei qual) achas que é mais importante do que a liberdade que representa não ter um rótulo?
Não ter um rótulo é impossível. Todos temos. Eu sou homem, heterossexual, europeu, português, aveirense, benfiquista, míope, jurista, de esquerda, do grupo dos que calçam 44, etc....
Esta separação em grupos "étnicos" não te faz lembrar nada?
Não são grupos étnicos, existe mobilidade entre os grupos e não existe ódio de nenhuma forma.
E a identificação de um determinado grupo (através das vestes) em favorecimento de outro, também não te faz lembrar nada?
Nao entendo? quem é que sai prejudicado?
E a remoção de determinados direitos a um grupo por causa da sua condição em relação a outro não te faz lembrar nada?
Que direitos é que são removidos, os de praxar? Era o que faltava. Os de participar nas actividades relativas à praxe? Não acontece senão só quem a aceita poderia participar nas latadas, queimas, enterros, etc. o que não acontece.
Parecem-te práticas saudáveis?
São o que são. Nem tudo na vida tem de ser saudável, limpinho, normalizado.