terça-feira, 29 de setembro de 2009

Declaração conjunta dos órgãos de gestão da Faculdade de Psicologia e Ciências de Educação da Universidade do Porto

Os órgãos de gestão da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto vêm por este meio tornar público e notório o seu repúdio por toda e qualquer actividade dita de "praxe académica" que envolva humilhação, rebaixamento ou alguma outra forma de menorização de outrem, ainda que realizada sob presumido consentimento dos visados, porquanto se entende que a prática desse tipo de actos, seja de forma simulada ou efectiva, é incompatível com valores que a Faculdade procura formar e que são indissociáveis do exercício das profissões de base social e humana, de que é exemplo magno o respeito pelo outro.
Mais, além de por vezes propenderem para a tipificação de crimes públicos, os actos em causa são sempre atentatórios de direitos inalienáveis de quem a eles está submetido e de quem a eles assiste, designadamente daqueles consignados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, onde se estabelecem os deveres de salvaguarda da igualdade de direitos, de protecção da dignidade e valor da pessoa humana, e de acção para com o outro em espírito de fraternidade.
Dando eficácia à deliberação conjunta dos órgãos da Faculdade, esta declaração será tornada pública pelo Conselho Directivo no início de cada ano escolar, pelos meios que melhor garantam a sua ampla disseminação junto da comunidade académica.

Porto, 15 de Julho de 2009

Os presidentes dos órgãos de gestão da FPCEUP

Fonte

12 comentários:

Anónimo disse...

E biba o Porto! No ISPA, em Lisboa, as alunas pagam para serem praxadas durante uma semana!

Anónimo disse...

E de novo... muito paleio e nenhuma acção tomada...

Anónimo disse...

No Porto é impossivel acabar com a Praxe, ponto período. Todas estas manifestações de intenção não passam disso mesmo.

belhotte disse...

Este artigo, se for lido com atençao, e se soubermos ler nas entrelinhas é taxativamente correcto.

Quando me considero Pró-Praxe faço sem duvida alguma consciente de que há abusos. Estes devem ser apontados e punidos. Punidos interna ou externamente. Na minha Universidade existe um órgão maximo para vigiar a Praxe, o Conselho de Veteranos. Todos os caloiros são informados da sua existência e em todos os cursos há membros do mesmo.

Quando há abusos tornados públicos, quer por colegas, quer pelos próprios caloiros, as queixas são analisadas e tomadas medidas. Se os casos extrapolarem as competências, são remetidos para as auoridades civis, como já aconteceu.

A Praxe é uma coisa fantástica, como toda a tradição deste meu/nosso país. Pena certas pessoas não a saberem fazer e debaixo desse pretexto, certas pessoas encontram o móbile para libertar frustações de toda a ordem. ISSO NÃO É PRAXE, É CRIME!

Conselho de amigo: Quando se cansarem disto, porque não tranformar este blogue numa arma política para tentar aconselhar/intervir junto do Governo e das instituições para tenta melhorar as condições de ensino? Isso sim... era louvável...

Porque que quem entra numa Universidade em Lisboa tem professores fantásticos e no interior temos os "piores alunos" desses professores fantásticos? Isso parece-me grave... Isso é a mais pura injustiça. Isso era uma luta bonita verdadeiramente bonita de ser feita e de certeza absoluta, era conciliadora da massa estudantil...

Tanto se escreve e tanto tempo se perde a falar de coisas que não são de primeira ordem...

José Rainho, "belhote"

Tânia Lopes disse...

Faz-me impressão que se promova uma coisa em que "concerteza que há abusos". Então se já se sabe que pode haver para quê fazê-lo?

Dâ!!!

Belhotte disse...

Exacto, corta-se o mal pela raiz e esquece-se tudo o que é bom que possa sair de lá...

Isso sim, era uma medida típica de Salazar.

Será que as pessoas não podem escolher o que querem? O MATA ao exigir o fim das praxes, está a fazer aquilo que DIZ que quem é a favor da praxe faz: IMPOR A SUA VONTADE IGNORANDO OS QUE PENSAM DE MANEIRA DIFERENTE! Desculpem lá se não penso como vocês... Desculpem lá se no último inquérito feito na UTAD (posso falar melhor da realidade da minha Universidade), onde foi garantido o anonimato de quem a ele respondeu, 94% dos caloiros afirmaram ser a favor da praxe!

José Rainho, "belhote"

pedro disse...

epá, é a segunda vez no espaço de 1 semana que escrevo o seguinte:

as conclusões retiradas de 1 inquérito feito aos alunos recém-chegados à UTAD sobre as praxes, 2 anos antes desse referendo, foram as seguintes:

"O sentimento da esmagadora maioria dos alunos que responderam é de que a praxe dura demasiado tempo, é humilhante, degradante, cansativa, geradora de problemas de saúde e prejudicial para a organização da vida pessoal e do estudo", afirmou o Artur Cristóvão, em declarações ao "Público".

Nota: a universidade do inquérito e referendo é exactamente a mesma.

aqui vai o link da notícia no jornal "público", caso alguém queira consultar: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1246613&idCanal=

este inquérito, curiosamente, os "praxistas" nunca se lembram... que estranho... ah, já sei... deve ser ter sido o salazar, cortou esse mal logo pela raíz.

Sir Giga disse...

Eu lembro-me bem desse inquérito. E os "matistas" deveriam ter vergonha de invocar algo com tamanha e deliberada falta de rigor técnico e ética profissional.

O referido "inquérito" foi realizado por Artur Cristovão. Apesar de ser alguém com a obrigação de fazer algo mais cientificamente credível, efectuou um inquérito a apenas 43 alunos do 1º ano (!!!), do Ex-DRM. O método de amostragem deve ter sido mesmo aleatório, deve...
Eram quatro perguntas sobre as praxes: "para que serviu"
"coisas engraçadas"
"coisas sem graça mas aceitáveis"
"coisas inaceitáveis"
A metodologia foi péssima (na amostragem e estruturação do próprio inquérito), a existência de um não-declarado conflito de interesses do "investigador" revelou uma total falta de integridade científicas, inclusive na hora de reportar os resultados, escolhendo apenas os dados que mais lhe convieram.
No entanto, fiando-nos nestes dados, houve alunos que consideram terem havido situações inaceitáveis. Se as mesmas realmente existiram, condeno-as, evidentemente. Agora, a questão é, porque é que estes respondentes não as condenaram na altura e só o fizeram à posteriori? O facto de ser alguém com real e imediata influência no seu sucesso académico não influencia a resposta dos alunos? Não? Como podem estar cientificamente certos disso mesmo?

Querem um estudo mais credível, feito por PROFESSORES DA UTAD e pela Associação Académica (que nada têm a ver com "praxes" e similares):
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=353

Alguns apontamentos sobre este inquérito com suficiente VALIDADE E CREDIBILIDADE CIENTÍFICA e que surpreendeu toda a comunidade docente:

"Cerca de 2/3 dos alunos têm uma atitude pro-activa perante as praxes e cerca de 90% dos alunos consideram que a praxe serve para a sua “integração na universidade”.

Já para não falar do referendo levado a cabo pelo Conselho de Veteranos, onde 90% dos respondentes achou que a Praxe deveria continuar exactamente nos moldes actualmente em vigor. Os outros 10% incluem também, certamente, academistas como eu, que acham que algumas coisas deveriam mudar no código e no entendimento da Praxe.

Ah, e se alguém estiver REALMENTE interessado nas questões éticas e técnicas subjacentes à investigação por inquérito, siga o endereço:

http://www.apa.org/science/fairtestcode.html

É só "meninos"...

Pedro disse...

"apenas 43 alunos"

plenamente de acordo, também considero a amostragem reduzida. É pena não terem sido mais para corroborar mais o questionário. O próprio inquérito “verdadeiro” com os resultados úteis para os praxistas, é sabido que não teve uma participação esmagadora tendo em conta o universo estudantil da UTAD, mas mais tarde puxas por ele (vide em baixo). Noutras palavras, contradição e falta de objectividade.

"do 1º ano (!!!)"

plenamente de acordo com essa opção. Não existe problema científico algum, teve um publico-alvo específico.

"O método de amostragem deve ter sido mesmo aleatório, deve..."

Uia, tanto rigor científico nesta frase..

"Eram quatro perguntas sobre as praxes: "para que serviu", "coisas engraçadas", "coisas sem graça mas aceitáveis", "coisas inaceitáveis"

Não percebo qual é o problema de serem apenas 4 perguntas, se o objectivo era ser curto. Além de que as perguntas são bastante precisas quanto ao conteúdo.

“(…) a existência de um não-declarado conflito de interesses do "investigador" revelou uma total falta de integridade científicas (…)”

Hã??? Este argumento tem tanta credibilidade como tu vires para aqui questionar este inquérito, sabendo de antemão que és defensor da praxe. Grande rigor científico, sinceramente.

“Se as mesmas [situações inaceitáveis] realmente existiram, condeno-as, evidentemente.”

Ao menos isso

"Agora, a questão é, porque é que estes respondentes não as condenaram na altura e só o fizeram à posteriori?"

Tens toda a razão neste detalhe. Plenamente de acordo, deveriam ter falado no momento. Contudo, coação, pressão de grupo, ameaças e respectivas consequências são acções normais no âmbito da praxe. Em suma, o medo de represálias pode ser uma justificação para tal.

(continua)

Pedro disse...

(continuação)

"O facto de ser alguém com real e imediata influência no seu sucesso académico não influencia a resposta dos alunos? Não? Como podem estar cientificamente certos disso mesmo?"

Argumento puramente especulativo e sem rigor científico nenhum. Tentar puxar a ciência para a questão mas depois não ser rigoroso quanto à análise, nem te dá credibilidade nem augura conclusões minimamente objectivas.

"surpreendeu toda a comunidade docente (...) Cerca de 2/3 dos alunos têm uma atitude pro-activa perante as praxes e cerca de 90% dos alunos consideram que a praxe serve para a sua “integração na universidade”"

Também eu fiquei surpreendido e não sou docente.

"Já para não falar do referendo levado a cabo pelo Conselho de Veteranos, onde 90% dos respondentes achou que a Praxe deveria continuar exactamente nos moldes actualmente em vigor."

Enviesamento da questão, e mais uma vez falta de rigor e objectividade em 2 aspectos:

1 - A sua realização deveu-se ao facto de a Reitoria querer limitar as praxes no tempo e não sobre a validade da praxe em si. Se eu porventura estudasse na UTAD e sendo contra a praxe, não iria votar nele. Utilizar isto como argumento é sintomático de falta de rigor e adaptação dos dados às tuas necessidades (engraçado, acusaste o prof. exactamente da mesma coisa…)

2 - Sabendo que a população votante foi também ela esmagadoramente reduzida em comparação ao universo estudantil da UTAD (nem chegou aos 30%), também retira credibilidade a este questionário, para além de que e entra em contradição directa com o teu primeiro “argumento”

Relativamente ao inquérito feito pelo professor que aqui contestas, sublinha-se que "Entre outras denúncias, os estudantes dizem que foram OBRIGADOS a "fazer posições sexuais em público", a "fazer de escravos" dos chamados "doutores", tratando da limpeza das suas habitações. Os jovens caloiros denunciam ainda que tiveram de suportar "certas brincadeiras indecentes", "morcões [larvas de insectos] nas meias, nos cabelos e no corpo", tiveram que comer alho, cebola e malagueta, rastejar na lama."

Como é se suporta e justifica estes comportamentos e denuncias? Ou devo partir do pressuposto que como são denuncias de somente 43 pessoas, devemos ignorá-las porque como são muito poucas não têm credibilidade?

Em suma, pregas muito pela argumentação científica, mas falta-te muito rigor e objectividade nas tuas análises, "homem".

Anónimo disse...

Acima de tudo, ainda bem que institucionalmente alguns orgãos dentro das instituições tomam uma posição clara sobre um tema que insulta e rebaixa o dito Ensino Superior.
Mas creio que enquanto um presidente de um IP ou reitor não forem à barra do tribunal, por silêncio cúmplice e inacção, a coisa não assume outra proporção. Que se cuidem que um dia pode acontecer...

A.A.

Bastian disse...

Exacto, corta-se o mal pela raiz e esquece-se tudo o que é bom que possa sair de lá...

Isso sim, era uma medida típica de Salazar.


O que de bom sai das praxes? Quer dizer que o que possa eventualmente sair de convivio e integracao (quando isso realmente acontece) justifica de tempos a tempos os abusos que ha? Como o homicidio de um aluno ou haver incidentes como os que sao relatados de Evora?

Nao e preciso ser-se muito inteligente para ver exactamente o quao estupido e afirmar-se que o que de bom vem das praxes justifica o que de mau tambem pode vir quando ja temos exemplos claros do que e que ha de mau.

Nao estamos a falar de algo fundamental ao funcionamento da vida em sociedade. Nao estamos a falar de eliminar o uso de viaturas por causa de acidentes de viacao nem o de comecar a prender as pessoas por causa de ideais que sejam diferentes aos da maioria.

Falamos em erradicar algo que ja esta comprovado que inevitavelmente, de tempos a tempos, serve de cenario para abusos com consequencias muitissimo graves.

O que quer de bom venha das praxes tambem pode vir sem elas haverem. Portanto se quiserem defender as praxes, estao mais do que intitulados a fazerem-no, apenas apresentem argumentos mais decentes...