sexta-feira, 16 de maio de 2008

Ela, a "caloira"; ele, o "cardeal".

A hierarquia dá o mote, a violência é o "final infeliz".


Uma rapariga foi violada na queima das fitas, em Braga. Para ela foi uma surpresa, mas o resto da história é igual a tantas outras (umas conhecidas, outras abafadas).
"Estava na barraquinha do curso e ele arrastou-me. Pensei que queria conversar e beber um copo, nunca desconfiei dele até porque ele é cardeal do curso e tem por dever proteger os caloiros".

Depois de violada, não teve coragem de o contar aos colegas e só decidiu apresentar queixa dois dias depois. No meio, estão a vergonha de qualquer pessoa (geralmente mulher) violada e, em particular, de alguém que confiava na pessoa violadora; está o medo de voltar à escola onde terá que se confrontar com o "cardeal" e com as outras pessoas que escolhem o silêncio como resposta ao sucedido.

E, no fim da linha, ainda vem a Escola. Abrirá um inquérito para saber o que se passou (serão as violações tão diferentes umas das outras?) se a aluna lhe apresentar uma queixa; deixará o caso cair no esquecimento, se a aluna não a apresentar.

E, de facto, a Escola não tem que se responsabilizar pelo que aconteceu. Mas a partir do momento em que uma pessoa se sente obrigada a deixar de frequentar a instituição de ensino superior porque não se sente protegida nela, a instituição tem a obrigação de fazer alguma coisa e garantir que essa pessoa possa continuar normalmente o curso que iniciou. E o argumento de que "ela não apresentou queixa" ou "não soubemos de nada" não servem, porque hoje já toda a gente sabe (e até os colegas, minimamente atentos, já montaram o puzzle todo e já sabem quem é o "cardeal-violador").
O "fim" desta história, será mais uma vez o silêncio e o esquecimento?


As notícias:




3 comentários:

Zé Manel disse...

Agora sim acho que podemos dizer que em contextos de "tradição académica" já aconteceu de tudo: mortes, violações, terrorismo de grupo, assaltos a bancos, maus-tratos físicos, sangue, comas-alcoólicos, pessoas a ficarem tetraplégicas, ameaças à integridade física e de morte, ...
Viva a "tradição académica" que é muito divertida!

Simão ISCTE disse...

Uma violação é sempre de condenar! Mas esta foi só mais uma como tantas outras que se passam por aí! Não venham com a tanga que foi culpa das praxes, que não tem nada a ver! Ganhem Juízo!

Anónimo disse...

concordo com o simao!
tenham juizo nao venham com: "a culpa é da praxe", esse sujeito obrigou a ter relações e isso é praxe?? tenham juizo é sim crime! nenhum dos valores ensinados pela praxe remetem para o crime! estejam mais atentos! e Ganhem juizo