quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Praxes violentas em Santarém: julgamento começa amanhã, cinco anos depois da queixa de Ana Santos

Esta será a primeira vez que (agora antigos) estudantes vão a tribunal acusados de praxarem violentamente Ana Santos.
O caso remonta ao início do ano lectivo de 2002/2003, quando a então aluna do primeiro ano na Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS) foi sujeita a várias horas de humilhação, violência psicológica e física, coberta com dejectos de porco, insultada e, sobretudo, impossibilitada de exercer o seu direito de recusa àquelas práticas repugnantes e antiquadas.

Os sete agressores que se sentarão amanhã no banco dos réus - seis deles acusados em co-autoria e na forma consumada de um crime de ofensa à integridade física qualificada e um outro por um crime de coacção – "consideram que actuaram no sentido do respeito pela tradição", segundo diz a sua advogada Lúcia Mata ao jornal Público.
Para o M.A.T.A., é surpreendente que os arguidos, não negando os factos de que são acusados, os legitimem invocando uma "tradição", considerando, por isso, que não se enquadra no conceito de crime ou ilegalidade. Qualquer tradição, inventada (como é o caso) ou não, não pode servir de argumento para humilhar, coagir ou violentar pessoas.

O resultado deste julgamento pode marcar o início de uma nova realidade: a impunidade (que ainda se faz sentir, seguramente) poderá deixar de ser uma certeza para quem insiste em ver e viver a Universidade como uma espécie de "país à parte", em que as leis são outras e não protegem a integridade física e psíquica de quem por lá passa.

Aproveitamos para, mais uma vez, sublinhar a coragem da Ana, que apesar do sofrimento, pressões e consequências para a sua saúde – que acompanhámos desde o início -, não desistiu de ser a personagem central desta mudança. Mudança esta que se espera capaz de desenhar futuros diferentes na Escola e na sociedade.

M.A.T.A. – movimento anti "tradição académica"
13.02.2008

2 comentários:

Anónimo disse...

isto realmente é espectacular!!
gostava de saber se as pessoas que tanto tem a dizer mal das praxes e das tradições académicas do pais, alguma vez foram submetidos a algum tipo de praxe?possivelmente não, porque se assim fosse saberiam o que isto é e como se sente uma pessoa depois de ser praxada.eu fui praxada e digo de alma e coração, foram os melhores dias da minha vida.diverti-me imenso e graças a essas mesmas passagens conheci imensa gente e com quem me dou muito bem e quem seguramente posso tratar por amigos. essa ana santos, que se diz humilhada e coisas mais, não sabe bem o que quer pois entrou na ESAS, como chumbou no 1º ano devido às borgas, achou por bem dizer aos paizinhos que tinha sido das praxes, pois, realmente é mais fácil.as pessoas cobardes são assim. depois foi para o ISA e também nao deve ter corrido bem porque acho que ao fim de tanto tempo só à pouco tempo terminou o 1º ano...BURRA!!!!e como se não basta-se vai para a ESTG em Leiria e tem a lata de praxar os caloiros de lá!!!é preciso ser mesmo um monte de merda.TU, Ana Santos, és uma merda e uma vergonha para toda a gente.
és e serás sempre uma merda.
saudações académicas

ana disse...

realmente é fácil dizer-se o que se quer e, de "cara tapada" ainda mais.

Certamente que não conheces a Ana e insultar pessoas que não se conhecem, para além de ser de muito mau gosto, só mostra que apenas reproduzes o que ouves sem pensar 5 segundos sobre o assunto (é isso que se aprende nas praxes, não é?)

eu, que hoje sou do MATA, fui praxada e fui para a tuna. Sobrevivi, mas saí a tempo de não me tornar tão insensível como tu (a julgar pelo que demonstras).

E também penso (talvez não muito mais do que 5 segundos, mas) o suficiente para perceber que ninguém se sujeitaria a ir para tribunal por causa de uma mentira aos pais... Especialmente quando até o sr juiz lhe deu razão.

ou será que quando se diz que "a justiça não funciona" as pessoas se referem a estes casos? Não é certamente ao caso, por exemplo, do Diogo Macedo que morreu no meio da tuna "sem se saber como"...

Ah, e sobre a história dos amigos... a festa organizada pelo MATA em 2006 teve mais de 500 pessoas, num dia de temporal. Certamente que não eram nossos amigos e amigas, porque não sabemos bem o que isso é, não é verdade?

;)