quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Outra maneira de ler a notícia: As "práticas" violentas são aceites pela maioria de direita

Maioria PSD/CDS chumba recomendação contra praxes violentas
02.12.2011 - 16:10 Por Lusa
A maioria parlamentar PSD/CDS-PP chumbou hoje um projecto de resolução do Bloco de Esquerda que recomendava ao Governo medidas para desencorajar as “praxes violentas” e para apoiar os alunos vítimas dessas praxes.

O projecto de resolução foi rejeitado com os votos contra do PSD e CDS-PP e os votos favoráveis do PS, PCP, BE e PEV.
O deputado e líder da JSD, Duarte Marques, foi um dos deputados que apresentou uma declaração de voto, assim como Valter Ribeiro e Manuel Meirinho.
Contactado pela Lusa, Duarte Marques disse concordar com a “recomendação que é feita” genericamente, mas questionava as medidas propostas, nomeadamente a criação de uma rede de gabinetes de apoio psicológico aos alunos, contrapondo que “já existem esse tipo de gabinetes”.
“Nos últimos três anos houve uma evolução”, disse Duarte Marques, acusando o PS de não defender o seu anterior ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, ao votar favoravelmente esta proposta.
Por outro lado, Duarte Marques contestou que na recomendação se fizesse referência a um estudo pago sobre as praxes, quando, defendeu, “poderá haver universidades e investigadores que o promovam sem um custo adicional”.
O projecto de resolução recomendava a “realização de um estudo nacional sobre a realidade da praxe em Portugal, levado a cabo por uma equipa multidisciplinar de uma instituição de ensino superior pública, financiado pelo Ministério da Educação e Ciência e cujos resultados sejam públicos e tornados acessíveis online”.
“A produção e divulgação pelo Ministério da Educação e Ciência de um folheto informativo sobre a praxe no meio estudantil, a ser distribuído no ato das candidaturas em cada instituição de ensino superior do país”, foi outra das recomendações apresentadas.
O projecto de resolução defendia a “criação de uma rede de apoio aos estudantes do ensino superior que permita acompanhamento psicológico e jurídico aos estudantes que solicitem apoio e que denunciem situações de praxe violenta ou não consentida, disponível no sítio da internet do Ministério da Educação e Ciência.”
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Bloco insiste em acabar com praxe violenta
O Bloco de Esquerda volta a levar ao parlamento o debate sobre a violência das praxes académicas, procurando que sejam as instituições universitárias a deixarem de legitimar aquela prática, seja dentro ou fora das suas instalações.

O projecto de resolução entregue pelo Bloco na Assembleia da República refere que "nos últimos dez anos multiplicaram-se os casos de violência associados às praxes de Norte a Sul do país" e refere alguns casos de crime sem castigo, como a da morte do jovem Diogo Macedo no pólo de Famalicão da Universidade Lusíada em 2004 ou os casos de dois estudantes que ficaram paraplégicos em 2006 em Coimbra e Elvas.
"Os exemplos repetem-se e são a face visível de que não se tratam de “casos” ou “abusos” pontuais, mas sim de uma cultura de violência inerente à prática da praxe", diz o projecto de resolução do Bloco.
Recordando uma iniciativa parlamentar semelhante em 2008, os deputados do Bloco lembram que a Comissão de Educação deu sequência à preocupação com as praxes, elaborando um relatório com contributos de 38 instituições do Ensino Superior. Como consequência, o então ministro Mariano Gago responsabilizou os Conselhos Directivos por eventuais problemas na sequência das praxes, levando muitos deles a proibirem-nas nas suas instalações.
"Esta mudança do local onde ocorre a praxe não solucionou nenhum dos problemas que foram apontados pela Comissão de Educação e Ciência em 2008, não ajudou a proteger as vítimas de praxes violentas, desresponsabilizou os Conselhos Directivos das escolas e aumentou a insegurança a que os alunos que participam nas praxes estão sujeitos", denunciam os deputados bloquistas, justificando assim a insistência no conjunto de medidas agora propostas.
O Bloco quer a realização de um estudo nacional sobre a realidade da praxe em Portugal, a distribuição de um folheto do Ministério sobre as praxes aos estudantes, no momento em que se candidatam, a criação duma rede de apoio psicológico e jurídico para as vítimas de praxe violenta.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Carta aberta ao Reitor da Universidade da Madeira

Recebemos no nosso email a seguinte carta aberta ao Reitor da Universidade da Madeira.
(as imagens foram encontradas na internet)


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Exmo. Sr. Dr. José Manuel Nunes Castanheira da Costa, Reitor da Universidade da Madeira:
 
Apresento a Vossa Excelência as minhas mais cordiais saudações.
Quero por esta forma apresentar a V. Exa. a denúncia de factos que me chocaram profundamente, e que a V. Exa. dizem também respeito por se tratarem de, cumulativamente, alunos vossos e que usam o nome da Universidade da Madeira publicamente para actividades criminosas.
Ao final do dia de ontem (Sexta-feira, 25 de Novembro, por volta das 20 horas), encontrava-me a passar junto ao Parque de Santa Catarina no Funchal, quando, para minha surpresa, nas escadarias que dão acesso ao mesmo pela Rotunda do Infante, deparo-me com aquilo que parecia uma cena de um autêntico ritual satânico: um numeroso grupo de rapazes e raparigas vestido com uma camisa amarela com o nome da Universidade da Madeira, ajoelhados e curvados com as cabeças no chão, repetindo em coro o que um outro numeroso grupo de indivíduos vestidos com horripilantes trajes negros, muitos dos quais ostentando paus de grandes dimensões, os obrigavam a gritar.
Ao aproximar-me, constatei que o ritual satânico em questão dava pelo nome de “praxe académica”, tendo-me posto a observar o mesmo, caso algum dos subjugados solicitasse auxílio.
O que observei foi efectivamente um ritual digno da Church of Satan.
Os alunos da UMA foram obrigados a permanecer nessas condições por mais de meia hora (contando apenas a partir do tempo em que por lá passei), sendo que os auto-denominados “doutores” também os forçavam a terem os pés levantados do chão, fazendo assim que toda a pressão corporal recaísse unicamente sobre os joelhos. Para o efeito, os tais pseudo-doutores faziam uso dos paus, desferindo golpes nos pés dos alunos sempre que estes “ousavam” apoiar os pés no solo.
Assisti também, durante o referido ritual, a injúrias graves e constantes por parte dos pseudo-doutores contra os alunos.
Estes foram depois obrigados a fazerem inúmeras flexões e a simularem actos sexuais no chão, sob as ordens e para o divertimento sádico dos auto-denominados “doutores”.
Mais tarde o grupo separou-se, sendo que parte dos indivíduos trajando de negro forçaram parte dos novatos a entrarem dentro do Parque de Santa Catarina - que já havia encerrado portas -, tendo eu permanecido sempre na rua, onde os insultos e as humilhações aos restantes novos alunos continuaram.
Algum tempo depois, os pseudo-doutores que entraram ilegalmente dentro do Parque de Santa Catarina desceram com os alunos que forçaram a entrarem no mesmo Parque, sendo que estes vieram com as camisas todas sujas de lama, indicando claramente que foram obrigados a se arrastarem em terra molhada.
Todos reunidos novamente nas escadarias, foram comandados com gritos a efectuar repetitivas mudanças de posição no chão, mediante graves insultos permanentes.
A este triste espectáculo assistiram também vários estrangeiros que por lá passaram, muitos dos quais me questionaram em Inglês sobre o que se passava, ficando escandalizados ao tomarem conhecimento de que se tratava de uma humilhação académica.
De notar que durante a referida humilhação, assistiu-se ao cúmulo da hipocrisia de uma pseudo-doutora discursar, entre os alunos ajoelhados com as faces no chão e pés levantados, sobre os “ensinamentos” da praxe e a “aprendizagem de união” de que estavam aí “beneficiando”. No seu exercício de absoluta hipocrisia e mentira, não referiu a mesma pseudo-doutora que a dita união era apenas união na submissão e subjugação, algo totalmente negativo, em vez de uma união na revolução contra o desrespeito, o que seria, isto sim, um ensinamento de grande valor.
Talvez incomodados com os assistentes indignados, os mestres do ritual deram, cerca de uma hora depois da minha chegada, ordem aos subjugados para “dispersarem para o McDonalds”.
Se é certo que durante o respectivo ritual não assisti a nenhum pedido de auxílio, isso não significa que todos os alunos subjugados fossem voluntários naquela sessão de sado-masoquismo. Muitos até poderiam ter inicialmente concordado em participar na praxe, mas mais tarde, durante as ofensas, não terem tido a coragem, por evidente medo das ameaças constantemente lançadas, de se recusarem a obedecer aos “mestres”.
Mas mesmo que, por(des)ventura, todos os alunos subjugados estivessem sempre a participar como masoquistas voluntários, a verdade é que, esse grupo de sado-masoquistas (subjugadores e subjugados) não tem o direito de usar publicamente o nome duma instituição pública como a Universidade da Madeira, nome bem visível em todas as camisas dos subjugados e nos trajes dos subjugadores, para praticar, em plena rua, actos de sado-masoquismo, absolutamente difamatórios do bom nome da Universidade da Madeira.
Pessoalmente eu nunca fui praxado (recusei-me), nem nunca praxei ninguém. E ninguém pode interferir no direito, exercido informada e livremente, dos outros de querem ser humilhados ou torturados. Mas já não podemos admitir que esses mesmos pobres de espírito (supondo, é claro, que todos estivessem de acordo) usem o nome de uma Universidade pública como imagem de marca daquilo que são autênticos rituais satânicos de humilhação, injúria, crueldade e mesmo tortura (ver a propósito das praxes por exemplo o seguinte site de qualidade: http://blogdomata.blogspot.com/ ).
Com esperança na indignação de Vossa Excelência contra tais actos próprios de animais absolutamente irracionais, deixo à Vossa consideração a presente denúncia.
Com os meus melhores cumprimentos,
MXXXXX XXXX XXXX,
Advogado (CP XXXX OA).
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Notícias da manif do Ensino Supeiro hoje


Centenas de universitários em desfile pelas ruas de Lisboa reivindicam investimento
Manifestantes entoam palavras de ordem contra as propinas e o fim do passe sub-23 e pelas bolsas de estudo
Texto de LUSA • 29/11/2011
 Várias centenas de estudantes universitários começaram esta terça-feira, dia 29 de Novembro, às 15h15, uma caminhada do Marquês de Pombal para a Assembleia da República, onde vão concentrar-se, em protesto contra o desinvestimento no Ensino Superior e os cortes na Acção Social. Os manifestantes entoam palavras de ordem contra as propinas e o fim do passe sub-23 e pelas bolsas de estudo.


O dirigente associativo João Fonseca, da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa disse à agência Lusa que mais do que o número de estudantes envolvidos na manifestação, importante é o facto de o protesto ter reunido o apoio de 20 associações a nível nacional.


João Fonseca considerou que este é um passo para, no futuro, se realizar um protesto mais massificado.

“Este protesto não acaba aqui hoje, continua amanhã (quarta-feira) nas nossas faculdades, onde vamos continuar a falar com os nossos colegas”, disse, apontando a necessidade de ser reforçado o investimento em todo o Ensino Superior e a importância de não acabar com o passe sub-23, que definiu como essencial para a mobilidade dos estudantes.


A subir a rua Braamcamp, o protesto despertou a atenção de trabalhadores dos edifícios em volta, alguns dos quais bateram mesmo palmas à passagem da manifestação.

À partida da manifestação, na praça Marquês de Pombal, estava um dispositivo policial assinalável, com uma dúzia de carrinhas.


Organização satisfeita com protesto estudantil em Lisboa

por Lusa, 29/11/2011 

A organização do protesto de estudantes do ensino superior hoje em Lisboa afirmou que a manifestação chegou a juntar cinco mil pessoas, mas visivelmente ficaram nas centenas os que desfilaram até ao Parlamento.
No fim do trajecto entre o Marquês de Pombal e a Assembleia da República, não seriam mais de 500 os estudantes, embora ruidosos e com muitas palavras de ordem contra propinas, contra os cortes na acção social e contra um governo "sem educação". O dirigente da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa João Fonseca afirmou aos jornalistas que na manifestação os estudantes mostraram "muita força" e afirmou que "no auge" do trajecto, à passagem pela rua Brancaamp, eram "mais de cinco mil".
Confrontado com o número muito mais reduzido que chegou à frente da Assembleia, afirmou que "muitos desmobilizaram". "Têm aulas e frequências", justificou, acrescentando que mais importante que a participação é ter-se conseguido "fazer no último mês uma campanha de contactos e agitação" pelas associações académicas do país. João Fonseca afirmou que "vieram estudantes de Braga, Coimbra, Évora e Tomar", entre outras cidades e desvalorizou a ausência da Universidade de Coimbra, salientando que "não representa o movimento associativo nacional" e que está hoje em processo de eleição.
Acrescentou que a luta continua "amanhã" nas instituições de ensino superior e que foi escolhido o Parlamento como destino dos manifestantes porque é ali que será votado um Orçamento do Estado com grandes cortes de financiamento no sector. Da Guarda, os estudantes do Politécnico vieram também manifestar-se contra os cortes que ameaçam em muitos casos a permanência dos alunos no ensino superior. É o caso de David, estudante de Desporto, que disse à Agência Lusa que abandonar o ensino é um risco bem presente, porque os seus pais "não têm posses" para fazer face às diminuições no apoios sociais.
Em frente à escadaria, os estudantes leram e aprovaram uma moção em que condenam os cortes no ensino superior, particularmente as restrições na atribuição das bolsas - "só quem é órfão e não tem rendimentos é que tem direito à bolsa máxima" - e o fim da redução de 50% nos passes de transportes sub-23. "À chegada a São Bento, os manifestantes tinham à espera um dispositivo policial com cerca de duas dezenas de agentes posicionados na escadaria. Ao todo, uma dúzia de carrinhas da polícia e várias dezenas de agentes acompanharam o trajeto da manifestação.