Dificuldades económicas forçam desistências no Ensino Superior
Novo regulamento das bolsas de estudo pode vir a agravar número de desistências
Texto de Ana Chaves 06/12/2011
O número de estudantes que abandona o ensino superior terá tendência a
aumentar. Marta Coelho, de 22 anos, conhece bem as dificuldades de
prosseguir os estudos com dificuldades económicas. Iniciou o percurso
académico aos 17, mas já foi obrigada a interrompê-lo várias vezes.
Em 2006 ingressou na Licenciatura em Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP).
Com uma situação financeira débil, Marta conta que havia períodos em
que não conseguia comparecer às aulas por não ter dinheiro para almoçar.
A residir em Santa Maria da Feira, a prioridade no início do mês era
tirar o passe. Quando tinha aulas todo o dia a solução era almoçar na
faculdade. Porém, dias existiram em que “nem um euro tinha na carteira.”
Era uma amiga que a ajudava: “Quando me emprestava cinco euros, eu
almoçava na cantina e o que sobrava levava para casa. Dois euros e meio
já davam para o meu pai pôr gasolina e ir trabalhar.”
Nunca reprovou a nenhuma cadeira. Acompanhava as aulas com os
documentos que os professores disponibilizavam e mesmo com estes
percalços formou-se com média de 16 valores.
"Se não fosse a bolsa, não tinha tirado o curso"
Com um agregado familiar numeroso, Marta e as irmãs sempre tiveram
bolsas de estudo ou bolsas de mérito. Quando terminou a licenciatura
viu-se obrigada a parar durante um ano. Fazia trabalhos esporádicos e
tentava amealhar dinheiro para um dia voltar a estudar. E assim foi.
Actualmente é mestranda em Sociologia na FLUP, mas desta vez não
conseguiu sequer frequentar as cadeiras do primeiro semestre.
Resiliente, e com receio de ter de protelar os sonhos uma vez mais,
envia currículos para todo o lado. “Eu só quero um trabalho, já nem peço
o Euromilhões, nem sequer um emprego. Gostava de chegar ao fim do mês
com algum dinheiro, pouco ou muito... tanto faz.”
"Percebi que não podia continuar"
Já Carolina Araújo, de 23 anos, não teve o mesmo destino. Frequentava
o terceiro ano da licenciatura em Ciências da Comunicação na
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, mas a crise acabou por ditar um término definitivo.
Em entrevista telefónica ao P3, Carolina, que não era bolseira,
percebeu, durante uma conversa com o pai, que não podia continuar na
faculdade, ainda que estivesse no último ano.
Nunca chegou a pedir ajuda, embora o pai tenha precisado de contrair
empréstimos. Foi ao cinema, diz, duas ou três vezes e não comprava "bens
pessoais" como roupa, por exemplo. Entre outras medidas de austeridade,
almoçava sempre em casa, fumava menos e evitava tirar fotocópias:
"Perguntava aos professores se não podiam pôr [a matéria] online, porque
as fotocópias eram muito caras."
Actualmente, Carolina é administrativa, reside em Lisboa e emigrar
não faz parte dos seus planos - pelo menos a curto prazo. Não pensa,
também, voltar à faculdade, mas tem pena de não poder trabalhar na área
da comunicação.
O novo regulamento das bolsas de estudo pode agravar o cenário: cerca de 30 mil pedidos foram indeferidos. Em 2012 a situação deverá agravar-se, consequência dos cortes
que ultrapassam os 178 milhões de euros no Ensino Superior. Segundo o
Diário Económico, em Janeiro e Fevereiro de 2011, os cancelamentos de
matrículas e desistências aumentaram em 20%, valor que ultrapassa os
números registados em todo o ano de 2010.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Que se passa no Ensino Superior?
Publicada por
serraleixo
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Outra maneira de ler a notícia: As "práticas" violentas são aceites pela maioria de direita
Maioria PSD/CDS chumba recomendação contra praxes violentas
02.12.2011 - 16:10 Por Lusa
A maioria parlamentar PSD/CDS-PP chumbou hoje um projecto de resolução do Bloco de Esquerda que recomendava ao Governo medidas para desencorajar as “praxes violentas” e para apoiar os alunos vítimas dessas praxes.
O projecto de resolução foi rejeitado com os votos contra do PSD e CDS-PP e os votos favoráveis do PS, PCP, BE e PEV.
O deputado e líder da JSD, Duarte Marques, foi um dos deputados que apresentou uma declaração de voto, assim como Valter Ribeiro e Manuel Meirinho.
Contactado pela Lusa, Duarte Marques disse concordar com a “recomendação que é feita” genericamente, mas questionava as medidas propostas, nomeadamente a criação de uma rede de gabinetes de apoio psicológico aos alunos, contrapondo que “já existem esse tipo de gabinetes”.
“Nos últimos três anos houve uma evolução”, disse Duarte Marques, acusando o PS de não defender o seu anterior ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, ao votar favoravelmente esta proposta.
Por outro lado, Duarte Marques contestou que na recomendação se fizesse referência a um estudo pago sobre as praxes, quando, defendeu, “poderá haver universidades e investigadores que o promovam sem um custo adicional”.
O projecto de resolução recomendava a “realização de um estudo nacional sobre a realidade da praxe em Portugal, levado a cabo por uma equipa multidisciplinar de uma instituição de ensino superior pública, financiado pelo Ministério da Educação e Ciência e cujos resultados sejam públicos e tornados acessíveis online”.
“A produção e divulgação pelo Ministério da Educação e Ciência de um folheto informativo sobre a praxe no meio estudantil, a ser distribuído no ato das candidaturas em cada instituição de ensino superior do país”, foi outra das recomendações apresentadas.
O projecto de resolução defendia a “criação de uma rede de apoio aos estudantes do ensino superior que permita acompanhamento psicológico e jurídico aos estudantes que solicitem apoio e que denunciem situações de praxe violenta ou não consentida, disponível no sítio da internet do Ministério da Educação e Ciência.”
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Bloco insiste em acabar com praxe violenta
O Bloco de Esquerda volta a levar ao parlamento o debate sobre a violência das praxes académicas, procurando que sejam as instituições universitárias a deixarem de legitimar aquela prática, seja dentro ou fora das suas instalações.
O projecto de resolução entregue pelo Bloco na Assembleia da República refere que "nos últimos dez anos multiplicaram-se os casos de violência associados às praxes de Norte a Sul do país" e refere alguns casos de crime sem castigo, como a da morte do jovem Diogo Macedo no pólo de Famalicão da Universidade Lusíada em 2004 ou os casos de dois estudantes que ficaram paraplégicos em 2006 em Coimbra e Elvas.
"Os exemplos repetem-se e são a face visível de que não se tratam de “casos” ou “abusos” pontuais, mas sim de uma cultura de violência inerente à prática da praxe", diz o projecto de resolução do Bloco.
Recordando uma iniciativa parlamentar semelhante em 2008, os deputados do Bloco lembram que a Comissão de Educação deu sequência à preocupação com as praxes, elaborando um relatório com contributos de 38 instituições do Ensino Superior. Como consequência, o então ministro Mariano Gago responsabilizou os Conselhos Directivos por eventuais problemas na sequência das praxes, levando muitos deles a proibirem-nas nas suas instalações.
"Esta mudança do local onde ocorre a praxe não solucionou nenhum dos problemas que foram apontados pela Comissão de Educação e Ciência em 2008, não ajudou a proteger as vítimas de praxes violentas, desresponsabilizou os Conselhos Directivos das escolas e aumentou a insegurança a que os alunos que participam nas praxes estão sujeitos", denunciam os deputados bloquistas, justificando assim a insistência no conjunto de medidas agora propostas.
O Bloco quer a realização de um estudo nacional sobre a realidade da praxe em Portugal, a distribuição de um folheto do Ministério sobre as praxes aos estudantes, no momento em que se candidatam, a criação duma rede de apoio psicológico e jurídico para as vítimas de praxe violenta.
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m.a.t.a.
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quarta-feira, dezembro 07, 2011
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Carta aberta ao Reitor da Universidade da Madeira
Recebemos no nosso email a seguinte carta aberta ao Reitor da Universidade da Madeira.
(as imagens foram encontradas na internet)
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m.a.t.a.
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segunda-feira, dezembro 05, 2011
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