sábado, 1 de novembro de 2008

Sr. Gago, acha que alguma vez o desfecho seria diferente?

Escola de Leiria afasta hipótese de praxe estar na origem de hospitalização de aluno

Aqui fica um parágrafo curioso desta notícia:

O jovem de 18 anos começou a ter os primeiros sintomas após o tradicional cortejo académico, realizado na quarta-feira, dia 22. “Na terça-feira tivemos um jantar de curso tranquilo com professores e depois fomos para o recinto. Ele estava bem e no dia seguinte, no cortejo, aparentemente também estava bem. Após o baptismo* começou a sentir dores de cabeça e muito frio. O padrinho levou-o então para sua casa. Deram-lhe banho e tentaram aquecê-lo com um cobertor. Como continuava com dores de cabeça, pediu para telefonar aos pais”, descreve Rui Andrade, presidente da Associação de Estudantes da ESTG.

*o baptismo é aquele "acontecimento" em que se levam as pessoas para um sítio com água, muita água, e se molham essas pessoas da cabeça aos pés. Quer esteja ou não uma condição meteorológica compatível.

3 comentários:

ana (aluna da ESTG - Leiria) disse...

O baptismo é o acto de molhar a cabeça, tal como nos fazem quando somos baptizados pela igreja. ALguns padrinhos pedem para os afilhados irem para dentro do lago (água que dá pelos joelhos), mas se nao querem ir nao vao. Ele foi para a escola sem dormir porque tinha ido a uns concertos, e consta que nesse dia estava bebedo. Obvio que estou a falar do que se fala, mas nao me parece que no meio disto tudo, a culpa seja da praxe. O meu melhor ano foi de caloira, quando fui praxada. Nao houve abusos, e nao posso dizer que haja abusos na ESTG, e se houve, nunca os vi.

pedro disse...

"consta que ele estava bebedo". pois.. consta... rumores.. e os factos? esses são que ele foi para o hospital com vómitos e dores de cabeça alegadamente (alegadamente...) pelo consumo excessivo de alcool. que uma bebedeira provoque vómitos quando se ingere alcool em excesso, muito bem. mas que provoque dores de cabeça, enquanto alcoolizado? hhmmm... de qualquer forma, há a hipótese de o quadro clínico diagnosticado não ter sido mais correcto, pois estava mascarado por outros sintomas (o alcool consumido em excesso). é bem possível que com os sintomas apresentados o aneurisma já tinha rebentado. choques térmicos, variações brustas de temperatura, aceleração do ritmo cardiaco associado a esforços, dilatação e contracção das veias, constrições à passagem do sangue e afins, parece-me que possam ter "alguma" influência no que se tenha passado.

ana disse...

com todo o respeito que tenho pelo que aconteceu ao rapaz (que, se calhar até gostou das praxes)...

o que me parece é que o que é importante no meio disto não é se o rapaz já tinha aquilo, se a culpa é da praxe, se o espancaram, se lhe fizeram festinhas ou se lhe molharam a cabeça dos dedos.

a questão é que, de facto, há tanta arbitrariedade na "doçura" das praxes, que nunca se sabe o que pode acontecer.
mesmo coisas aparentemente muito simples, podem ter consequências imprevisíveis.

e surge a pergunta: mas as coisas imprevisíveis/graves não podem acontecer noutro contexto?

podem.

mas o que é certo, também, é que as pessoas não precisam de molhar cabeças nem fazer flexões para conhecerem outras pessoas. há coisas divertidas (para mim, bem mais divertidas. mas para quem tem outra opinião, certamente que se divertem com outras coisas também) que aprofundam muito mais o conhecimento das pessoas e que não são susceptíveis de consequências só pelo facto de existirem.

isto é
a praxe, só por si, está sempre a levantar dúvidas. há quem lhes aponte constantemente o dedo e quem tenha a visceral necessidade de as defender dizendo que "não são assim tão más".
Mas há formas de conhecer e relacionar-se com pessoas (ou, se quiserem, de integrar) que não são alvo nem de controvérsia, nem de ser consideradas eventuais causas de "acidentes".

o problema é que, pelos vistos, dá muito trabalho pensar em coisas simples e divertidas e que têm todas as coisas que as pessoas procuram nas praxes, sem tudo o que a praxe tem e que é unanimemente mau (não se sentiram um bocadinho que fosse de vergonha a fazerem o "pudim danone"? não sentiram um bocadinho que fosse de dores a fazer flexões e abdominais? não disseram ou concordaram com quem disse que as dificuldades aproximam as pessoas*?)

*há outras coisas que aproximam (muito) as pessoas. e essas coisas podem mesmo ser boas!!!